terça-feira, 16 de agosto de 2011

Por Cristiane Sampaio
MTB:61431

 Boa tarde, pessoal!

Pois bem, estava lendo um artigo esses dias sobre o famoso caso do Pequeno Hans e achei relevante relembrar este caso aqui no Limites. Afinal, é um texto polêmico e esclarecedor até os dias atuais. Uma referência no estudo da psicanálise de crianças, que também será abordada no XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise.

O caso Pequeno Hans é hoje centenário, e nossa qualidade de vida melhorou muito desde a publicação de tal obra. Na época, Freud descreveu o caso como exemplo prático da aplicação de suas teorias sobre a sexualidade infantil, sendo que este foi o primeiro caso de psicanálise aplicado a uma criança, mesmo que através de seu pai, que descrevia os sintomas do filho para o Freud e ouvia suas considerações, aplicando-as em casa. O pequeno Hans se sentia ameaçado, culpado e apaixonado ao mesmo tempo, por viver um amor proibido pela mãe, associado a um complexo de castração deslocado na sua fobia por cavalos, que representavam as ameaças que ele fantasiava virem do pai. 

Hoje, a realidade psíquica não se mostra muito diferente. As neuroses sexuais infantis, como esta, se tornaram muito comuns. Como disse o psicanalista Dr. Celso Gutfreind, no FEBRAPSI NOTÍCIAS Nº38, “É o que continuamos vendo nas casas, nas escolas, nos consultórios. Se há mudanças (sempre há), déficits de atenção ou desvalimentos, isso não exclui angústias intensas de crianças que ultrapassam a distância suportável do genitor de sexo oposto. E submergem em fantasias de punição por parte do mesmo sexo. O Pequeno Hans está ativo nos Joãozinhos e Mariazinhas da contemporaneidade”.

Segundo o Dr. Gutfreind, a patologia da sexualidade na infância vem de encontro com a ‘vista grossa’ dos adultos, que reinventam uma criança bem diferente daquela com quem convivem. Normalmente, não a compreendem e podem acabar gerando consequências ainda mais traumáticas, que nos extremos podem chegar a atuações como maus-tratos ou pedofilia.

Estar bem significa, viver bem, crescer, descobrir, reinventar criativamente a existência cada vez mais, infinitamente. Implica também ser capaz de enxergar e lidar com aquilo que não queremos ver por não querermos sofrer. Freud ainda foi muito além dos LIMITES de seu tempo em suas teorias: ”Continuei dizendo que bem antes de ele nascer eu já sabia que ia chegar um Pequeno Hans que iria gostar tanto de sua mãe que, por causa disso, não deixaria de sentir medo de seu pai...”.
Segundo Dr. Gutfreind, como o tratamento de Hans se passou por meio do pai, valorizou-se a parentalidade, ou seja, a participação do cuidador, que se tornou mais lúdico e capaz de representar positivamente seu filho. Há pessoas que criticam que Freud falhou ao deixar de lado a mãe e o conflito do casal. Mas, “Enfim, O Pequeno Hans transcende objetivos traçados por ele próprio. Emenda que sai melhor do que o soneto, a obra mostra-se afeita a releituras e novos sentidos. Hans segue hígido e em pleno crescimento, perguntando, fazendo pensar, continuando. Vida ainda mais longa, é o que desejamos ao jovem centenário”, como finalizou Dr. Gutfreind.

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