sexta-feira, 29 de maio de 2015

“SONHAÇÕES”
Encontro Preparatório para o XXV Congresso Brasileiro de Psicanálise
SONHO/ATO: A Representação e seus Limites
12 E 13 JUNHO DE 2015
Local: Hotel Stream Palace – Ribeirão Preto
Inscrições: www.sbprp.org.br

O programa do “SONHAÇÕES” propõe  um diálogo instigante entre o físico Sérgio Novaes, e o psicanalista Miguel Marques a respeito de suas experiências de observação e exploração de seus “universos” de trabalho.
Sérgio Ferraz Novaes nos falará de suas experiências tomando como mote a frase de Arthur C. Clarke: "A única maneira de se encontrar os limites do possível é indo além deles em direção ao impossível.”

http://goo.gl/KrHFo3

"Vivemos em um Universo imenso e antiquíssimo e dispomos de sentidos muito limitados para explorar todas as nuances da realidade. Os meios de que dispomos para expandir nosso conhecimento envolvem o uso de ferramentas capazes de  estender nossos sentidos e, ao mesmo tempo, a construção de uma estrutura formal que nos permita investigar com segurança o desconhecido. Pretendemos mostrar que a ciência, com seu perfil simultaneamente conservador e revolucionário, tem sido um excelente guia no desvendar os limites do real."







Sérgio Ferraz Novaes é Físico, Professor Titular do Instituto de Física Teórica da Unesp – SP.


Miguel Marques propõe utilizar a psicanálise como uma sonda para a investigação e observação da mente humana:
Jota Azevedo in: http://jotazevedo.blogspot.com.br

A pele da cobra: Considerações sobre o ato de observação em Psicanálise.

Compartilhando a mesa com um Físico que participa e contribui através de suas pesquisas para ampliar as fronteiras do Real, enfoco a questão, em minha abordagem, de como ampliarmos as fronteiras do que compreendemos como sendo mente, ou personalidade.
A psicanálise é uma “sonda” e não pode ser contida pelas teorias que ela produz! Quando alcançamos uma observação em nosso trabalho clínico, o que esse ato de observar produz?
As investigações sobre a realidade psíquica, nos coloca igualmente na situação da criança que precisa aprender simultaneamente a pensar e a falar; que ainda não consegue falar, uma vez que seus pensamentos exprimíveis lhe são estranhos. E que ainda não pode pensar, uma vez que lhe faltam os conceitos a partir dos quais os pensamentos podem se ordenar e com os quais eles podem se articular.
Ressalto que, sustentar uma observação e uma investigação na qual se abra mão da aplicação de uma teoria muito definida, ou mesmo de diagnósticos, nos expõe a uma fragilidade e mesmo a um sentido de impotência, pois encontrar uma linguagem para comunicar-se consigo mesmo ou com os seus pares mostra-se tão precário e complexo ao ponto de tornar a adesão a uma teoria articulada muito sedutora.
Ao mesmo tempo sabemos que o nosso objeto de trabalho não pode ser alcançado pelas teorias que possuímos, pois buscamos o inusitado, o novo e ele acontece pelo inesperado.





Miguel Marque é Psicanalista, Membro efetivo e Analista didata da SBPRP e Membro efetivo da SBPSP .

Inscrições: www.sbprp.org.br

terça-feira, 26 de maio de 2015

Comentários do filme "A menina que roubava livros", de Ana Regina Morandini Caldeira e de Déborah Agel Mellem, exibido no Cinema & Psicanálise de Franca em maio.

A menina que roubava livros

Ana Regina Morandini Caldeira
Psicanalista e Psicóloga

 Durante nossa existência, temos o privilégio de nos depararmos com muitas e encantadoras estórias cujos enredos são contados por uma variedade de autores, desde nossos avós aos mais consagrados escritores. “A menina que roubava livros” é uma mistura de fábula com a vida real, e comporta um toque criativo cuja narradora é a Morte, a qual se apresenta enquanto personagem apenas sugerido, mas nunca revelado e explícito. Versa sobre a consistência que podemos atribuir à nossa existência, e o quanto nos é possível associar suavidade, luta, transgressões construtivas, sonhos e coragem, como elementos que compõem nossa caminhada.
Baseado no best-seller de Markus Zusak, com adaptação cinematográfica homônima, conta sobre a comovente trajetória de Liesel, uma garota que em plena Segunda Guerra Mundial, buscava por elementos internos que pudessem mantê-la viva psiquicamente.
É um filme que vai muito além do velho clichê das guerras e do holocausto, sem se fixar nos horrores grotescos que normalmente eles revelam. De forma sensível e emocionante, fala sobre a riqueza dos encontros entre as pessoas. Revela-nos parcerias que se amparam na subjetividade da mente humana, a qual desvenda sempre uma brecha para a sobrevivência.
É uma estória sobre a nossa possibilidade de sonharmos, como uma condição essencial que constitui e constrói novas versões para a realidade. Podemos encará-la como tendo um enredo referente a um ensinamento: de que os afetos vencem a morte. Assim, deparamo-nos com uma obra que consegue a façanha de ter tanto delicadeza quanto beleza estética ímpares, mesmo em tempos de destruição.
A película tem início em 1938, época em que a menina e seu irmão devem ser separados da mãe comunista. Os dois são enviados para viverem no subúrbio de uma cidade alemã. Porém, ao longo da viagem de trem, o irmão morre. Apesar de ser analfabeta, Liesel rouba seu primeiro livro, denominado “Manual do Coveiro”, no funeral improvisado do irmão em meio à paisagem gelada da Alemanha, a fim de que pudesse manter viva a memória de quem tanto amava.
Nestas circunstâncias de desamparo inicial, acaba sendo adotada por uma família germânica que não concordava com o regime nazista. Uma pobre família com escassos recursos de sobrevivência financeira, porém com uma vastidão de elementos acolhedores e amorosos. Ressalta-se a figura do pai adotivo, através da perfeita atuação do premiadíssimo Geoffrey Rush, e de sua generosidade e musicalidade. Com este sensível pai, aprende a ler e a representar em palavras e expressões, tanto suas imagens externas quanto as internas. Nas andanças do tempo, Liesel é mais que uma sobrevivente, é autora da própria vida, cujos meandros se dão à passos firmes e criativos.
No transcorrer do roteiro, vemos que ela continua a roubar livros, em suas mais variadas formas. Faz uso das estórias que lê, e daquelas que posteriormente também escreve, como uma tentativa e recurso de manter-se viva. Através de suas narrativas, ela elabora seus pesadelos e dores, reconstruindo-os em sonhos possíveis de serem vividos.
Os personagens são cativantes, como a obstinada e vitalizada ladra de livros: a protagonista Liesel, que é interpretada por Sophie Nélisse com presença extremamente carismática; os humanizados pais adotivos: Hans e Rosa; seu melhor e fiel amigo: Rudy; e o rapaz judeu escondido no porão: Max.
Colher as almas dos seres humanos e levá-las para além de nosso contexto concreto, são funções e trabalho rotineiro da Morte, que se constitui como narradora dessa bela história de vida. Ela observa com certa indiferença a trajetória das pessoas em seu curto tempo de existência, e normalmente envolve-se muito pouco com elas, salvo se estas forem especiais. No final, a narradora revela sua profunda admiração e respeito aos vivos que lutam, sendo capazes de construírem possibilidades para além de suas dores e limitações.
Há uma junção harmoniosa de roteiro consistente, direção de arte cuidadosa, fotografia irretocável, e a música do aclamado compositor John Williams, que fizeram com que este filme fosse visto no Brasil por cerca de 1,3 milhão de pessoas. Vamos revê-lo juntos, também neste sábado em nosso encontro do Cinema e Psicanálise, com a proposta de podermos pensar em quais elementos fazem com que nossa vida possa valer a pena e se sobrepor à morte.

Biografia de Brian Percival
Nasceu em Liverpool, Reino Unido.
Iniciou sua carreira como produtor de respeitados comerciais, e posteriormente tornou-se um diretor de comerciais de grande sucesso.
Recebeu o prêmio BAFTA de cinema, com o melhor curta metragem “About a Girl”, em 2001.
Desde 2010 ele dirigiu sete episódios da TV britânica, como dramas de época, denominados “Downton Abbey”. Por seu trabalho na série, ganhou em 2010 o BAFTA Craft, prêmio de melhor diretor de ficção.
Em 2012, foi indicado para o Prêmio Emmy Primetime para melhor direção de série de drama por "Episode 7".
É o diretor do filme “A Menina que Roubava Livros”, de 2013, baseado no livro de grande sucesso de Markus Zusak.




Comentários filme- A menina que roubava livros

Débora Agel Mellem
Psicóloga/ Membro filiado da SBPRP

Este filme dirigido por Brian Percival e baseado no livro homônimo de Markus Zusak, narra a comovente estória da menina Liesel (Shophie Nélisse), vítima de situações traumáticas extremas, ocorridas na Segunda Guerra Mundial, mas que demonstra uma incrível força de vida. Perseguida pelo nazismo por ser comunista, sua mãe entrega Liesel e o irmão para serem adotados por um casal (Geffrey Rush e Emily Watson) que se dispõe a cuidar das crianças por dinheiro.
Os sofrimentos da protagonista do filme vêm como avalanche: é afastada de sua mãe, de seu lar e no trajeto para sua nova casa, seu irmão morre. Como sobreviver a uma realidade tão assustadora? A menina precisava se agarrar a algo que pudesse lhe oferecer algum referencial, um elo com sua família. No enterro de seu irmão, Liesel pega um livro que o coveiro havia deixado cair na neve. Mesmo não sabendo ler, a garota carrega este livro, que se tornará um primeiro veículo para sua alfabetização. Apaixona-se pela leitura e passa a roubar livros, alcançando o mundo das palavras e da literatura, universo simbólico fundamental para lidar com suas dores, perdas e para descobrir algum sentido no viver. Este caminho esperançoso só ocorreu porque Liesel teve a companhia amorosa, acolhedora e lúdica de seu pai adotivo e também de seu amigo Max (Ben Schnetzer), um jovem judeu que mantinha-se escondido no porão de sua casa.
Yolanda Gampel, psicanalista que mora em Israel há décadas, trabalhou com órfãos de pais que foram mortos no Holocausto, genocídio de seis milhões de judeus. Pesquisou como estas crianças haviam enfrentado essa situação de perderem tudo num único dia e no que se apegavam para reconstruir suas vidas. Observou que haviam objetos, que lhes traziam lembranças de seus lares e que eram um tesouro que ajudavam-lhes a viver. Desde 2005, a Associação Psicanalítica Internacional - IPA (entidade da qual a SBPRP é filiada), através de um Comitê nas Nações Unidas, tem promovido reflexões sobre trabalhos com grupos de pessoas em situações de guerra e violência em geral. A escuta psicanalítica é usada como um meio de favorecer a elaboração de situações traumáticas e prevenir que o ódio entre os povos seja transmitido através de gerações.
Freud, no seu texto Reflexões para os tempos de guerra e morte (1915) e em sua correspondência com Einstein (1932) sobre este mesmo tema, aborda os aspectos primitivos, selvagens, presentes no ser humano e a força de seus impulsos destrutivos. E enfatiza que tudo que contribui para o crescimento cultural também trabalha contra a guerra.
Podemos pensar no país que vivemos e mais perto, na nossa cidade e no poder de Eros, impulso de vida, que se manifesta em preciosos trabalhos educacionais que existem em Franca. Destaco a importância das atividades culturais da ONG Academia de Artes e, em específico, o trabalho de Sônia Machiavelli, no desenvolvimento da leitura e escrita de crianças e jovens.
As armas da psicanálise e da educação consistem em ouvir o diferente, alcançar palavras, através de laços afetivos e expandir a capacidade criativa do ser humano. Nossa Comissão de Cinema e Psicanálise de Franca convida a todos para o próximo encontro, dia 16, sábado, no Centro Médico, a partir das 15 horas, onde o filme será comentado pela psicanalista Ana Regina Morandini Caldeira, membro associado da SBPRP.



sexta-feira, 22 de maio de 2015

“SONHAÇÕES”
Encontro Preparatório para o XXV Congresso Brasileiro de Psicanálise
SONHO/ATO: A Representação e seus Limites
12 E 13 JUNHO DE 2015 
Local: Hotel Stream Palace – Ribeirão Preto 

Inscrições: www.sbprp.org.br

FERNANDO DINIZ, Guache sobre papel - Sem data, 33 X 48 cm, a obra faz parte da exposição virtual do Museu de Imagens do inconsciente e pode ser visualizada em: http://www.ccs.saude.gov.br/Cinquentenario/fernando.html

Sérgio Lewkowicz abordará “Ato/Sonho/Experiência Estética em sua palestra no “Sonhações”. Veja a síntese de seu trabalho que ele nos enviou: 

“Trabalhando nos limites da representação” 

(...) Sonhar é transformar as emoções brutas e o sofrimento psíquico em processo simbólico que pode ser usado para pensar, agir, lembrar ou ter uma experiência estética. Na verdade, nós que não temos essa capacidade artística nos transformamos em artistas através de nossos sonhos que de fato são as transformações simbólicas, estéticas de nossas experiências emocionais, particularmente de dor e sofrimento. Quando dormimos somos nossos próprios artistas e, quando estamos acordados necessitamos dos artistas para que façam isso por nós.
Por outro lado, no nosso trabalho como psicanalistas nos aproximamos das tarefas dos artistas na minha maneira de pensar. Como diz Frayze-Pereira (2006): Pensar psicanaliticamente implica escutar, mais ou menos intensamente, as questões singulares e comoventes, isto é, ambíguas e por isto mesmo perturbadoras, daquele que sofre. Portanto, daquele que vive (p.14). Cabe ao psicanalista dar forma à dor que o paciente não consegue simbolizar psiquicamente. O artista ao criar algo novo, original transforma algo de sua subjetividade em um objeto material. A dupla analista/paciente transforma algo não representável em algo que pode ser pensado e compartilhado. Ambos, artistas e analistas transformam as experiências brutas em experiências simbólicas. (...)






Sérgio Lewkowicz é Psicanalista, Membro efetivo e Analista didata da SPPA e ex Diretor Científico da Federação Psicanalítica da América Latina (FEPAL).


Maria Aparecida Sidericoudes Polacchini nos apresentará sua base de apoio e as relações que estabelece para pensar e nomear a experiência vivenciada em seu trabalho psicanalítico clínico.

“Palavras cantadas das Musas e palavras intuídas pelo analista: uma aproximação.”


Nesse trabalho, apresentarei uma vinheta clínica, mostrando o que comumente vivemos no trabalho analítico, salientando a intuição do analista, sua fala e palavra que passam a representar e vivificar um estado psíquico, e promover desenvolvimento subjetivo.
O que apresento como introdução ao material clínico, é uma relação que estabeleço entre a Mitologia e a Psicanálise. Evoco as Musas que, pelo poder divino de nomear, inspiram e orientam a alma, promovendo o pensamento em suas múltiplas formas. Na Psicanálise, o exercício da intuição inspira o pensar e a linguagem que nomeia a experiência.
Chamo a atenção para uma das formas de linguagem, a palavra falada e ouvida, que tem função de destaque na Psicanálise, apontando para importantes questões sobre a comunicação na relação analítica. Apesar das deficiências de linguagem e comunicação, com as quais nos deparamos na tarefa analítica, ainda assim, “é preciso apostar na palavra”, como sugere a escritora Lígia Fagundes Telles, aos seus parceiros de literatura. 








Maria Aparecida Sidericoudes Polacchini é Psicanalista, Membro efetivo e Analista didata da SBPRP e Membro efetivo da SBPSP.




INSCRIÇÕES: www.sbprp.org.br

quinta-feira, 21 de maio de 2015

FILME VITUS
Comentários de Sônia Maria de Godoy

Dos sonhos que temos em vida, quantos conseguimos realizar?
O que é que nos leva a desistirmos de alguns deles?
Mais importante ainda: o que é o sonhar? É possível explicar?

Estas foram as perguntas que me surgiram ao acabar de assistir ao filme “Vitus”, do diretor suíço Fredi M. Murer, um homem que se descreve deslumbrado com a vida. Na história de Vitus, Murer, que também foi o roteirista, nos apresenta um menino que nasceu um pianista prodigioso, e gênio.
Murer foca o período entre infância e início da adolescência deste garoto, Vitus, período que é muito especial para qualquer um de nós, segundo o diretor-roteirista, já que “é onde tudo pode acontecer: podemos ser um da Vinci, um bombeiro, um caubói, tudo é possível.”
Porém a questão central a que ele nos conduz me parece ser sobre a dificuldade que encontramos para realizar sonhos que nos levem em direção a nós mesmos. Em outras palavras, para conseguirmos ser nós próprios diante de tantas convenções que o “establishment” impõe, necessitamos ousar existir com nossas diferenças. Parece-me que Murer nos propõe reflexões sobre como poder escolher a maneira própria de existir e mesmo assim permanecer em sintonia com o grupo social, apesar de nascermos com condições para ser e pensar diferentes da maioria.
Vitus pode ser tomado qual um representante de nosso incômodo frente àquele que de uma forma ou de outra se mostra genial em sua diferença.
Vitus, menino superdotado, um gênio no piano, sente-se com enormes dificuldades para responder a pergunta: “O que você quer ser quando crescer? ” Na ausência de continente para seus conteúdos tão extraordinários, pois seus pais são pessoas comuns, ele desiste temporariamente de usar sua inteligência, se estupidifica para tentar conviver com as pessoas que o cercam.
W. Bion propõe que os termos “místico”, “gênio” ou “messias”, possam ser intercambiáveis. Ele lembra que o místico é tanto criativo quanto destrutivo, dois extremos que coexistem na mesma pessoa. Ainda Bion, usando como sinônimos os termos gênio e místico, diz que entre o místico e o “establishment” há uma relação problemática, que se repete durante a história da humanidade. De fato, se procurarmos por exemplo entre artistas, ou pensadores, veremos quanto eles foram perseguidos por sua genialidade, alguns morrendo na fogueira, outros negando suas próprias descobertas.
É em seu avô que Vitus descobre um estímulo para criar asas para seus sonhos e assim realizar voos fantasiosos que o ajudam a descortinar uma realidade possível para sua condição de gênio.


terça-feira, 19 de maio de 2015

O Complexo de Édipo e as implicações clínicas nos Transtornos Alimentares 

Maria Auxiliadora B. dos Santos
SBPRP / SBPSP

Nos primórdios da vida, o bebezinho vive a doce crença de que é UNO com a mãe, o que é por algum tempo, acalentada por ela. A mãe saudável, reconhecedora de que seu bebê é fruto da relação amorosa com o pai, gradativamente “apresenta-o” para que o bebê “re-conheça” nele, aquele que limitará seu desejo desmedido pela mãe, cedendo espaço ao novo, ao símbolo, à Cultura.
Abordaremos nesta reunião, as tragédias provenientes de quando a mãe, como Jocasta, faz “vistas-grossas” à verdade: o bebê não é fruto exclusivo seu, mas constitui um outro Ser, originário de um casal, cujo pai foi obliterado em sua função criadora e interditora.
Contudo, a redentora necessidade de conhecer a origem como Édipo, poderá permitir sair da “ilusão de ser UNO com a mãe”, e caminhar rumo à verdade de que a “unidade do Ser é um casal” que originou o bebê, como colocado por W.R. Bion em São Paulo (SBPSP/1978).
Esta, a triangulação possível, quando se possui amor à verdade. O contrário, é a permanência na fusão psicótica com a mãe, mediada eternamente pelo alimento concreto, o que poderá desembocar na arena dos transtornos alimentares. 

Sugestão de leitura ou filme:
“Édipo Rei”, de Sófocles.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

“SONHAÇÕES” na SBPRP
Encontro Preparatório para o XXV Congresso Brasileiro de Psicanálise
SONHO/ATO: A Representação e seus Limites.
12 e 13 junho 2015
Local: Hotel Stream Palace - Ribeirão Preto
Não perca o prazo para inscrição com desconto
INSCRIÇÕES: www.sbprp.org.br

CANDIDO PORTINARI, Dom Quixote e Sancho Pança Saindo para Suas Aventuras (Don Quijote y Sancho Panza saliendo para sus aventuras),1956. Lápiz de color s/ cartón, 28,5 x 21,5 cm. Col.Museus Castro Maya, Brasil.

A Conferência de Abertura será proferida por Daniel Delouya, Psicanalista, Diretor do Conselho de Coordenação Científica da Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI).

“Limites da representação: trabalho em duplo e a cultura de excitação/atuação”

Nas configurações não-neuróticas não é a dissolução (losüng, Freud) dos sintomas/sonhos que está em questão, mas sua construção. É o trabalho do objeto (adulto) em suas possibilidades psíquicas de nomeação e, portanto, de construção que devem ser interrogadas e retomadas na via principal de certas demandas cada vez mais crescentes na contemporaneidade. A fuga excitada no agir e nas atuações são objetos de uma reassunção do sonho, ou melhor, da conversão do ato em sonho, em pensar. A psicopatologia da atuação em delírio da alma ou de seu soma, e suas correspondentes denúncias (das falhas) do trabalho do objeto impõem o grande desafio ao analista. A provisão narcísica ao paciente, existindo em sua companhia, servindo-lhe de duplo, permite a passagem do plano alucinatório da percepção para a fixação (prägung) desta em traços. Trabalho esse, de figurabilidade (darstellungbarkeit), compondo o setor principal da fábrica do sonho, fornece as condições de representação, construção, da passagem do irrepresentável para o representável. A crescente pressão da cultura -em sua exigência de sublimação em prol da inclusão do sujeito no mundo - transcendem os limites econômicas do sujeito em poder pensar e sonhar, acarretando a disjunção pulsional (Freud, 1923). São as excitações/atuações entre outras vias primitivas de gozo que surgem como buscas exasperadas por novas versões de subjetivação passiveis de conciliação junto a inadequação fundamental da vida humana na cultura.



Daniel Delouya é Psicanalista, Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Diretor do Conselho de Coordenação Científica da Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI) da gestão atual e Secretário do Conselho Científico da Febrapsi na gestão anterior.

Estudioso da obra de Freud e Lacan, dedica-se à divulgação da psicanálise ministrando palestras, coordenando grupos de estudo e seminários. Autor de livros como Depressão, estação psique; Epistemopatia (Coleção Clínica Psicanalítica); Entre Moisés e Freud-Tratados de origens e de desilusão do destino; Torções na razão freudiana e Depressão (Coleção Clínica Psicanalítica).

quinta-feira, 14 de maio de 2015


quarta-feira, 13 de maio de 2015


sexta-feira, 8 de maio de 2015

12 de Maio às 20h teremos a palestra “Formação do psiquismo de Freud à Bion”.

Semeando.
O verbo semear, segundo o dicionário Houaiss, significa “lançar para fazer germinar; dispor, visando resultados posteriores”. É com esse intuito que conversaremos sobre a formação e conhecimento do aparelho psíquico, passeando por Freud, Klein e Bion.
Pensar em como esse aparelho se constitui, deve/ pode abrir espaços para compreensão do mundo interno, que além de ser nosso material de trabalho, somos por ele constituídos.

Vai ser uma boa discussão! Esperamos todos vocês.

Suely F. S. Delboni Psicanalista


terça-feira, 5 de maio de 2015

Elaboração Imaginativa: fundamentos para a clínica psicanalítica contemporânea.
Dr. Vincenzo Bonaminio

Dr. Vincenzo Bonaminio é analista didata da Sociedade Psicanalítica Italiana, onde atua como formador e supervisor. Atende adultos e crianças em sua clínica em Roma. Professor adjunto na Universidade "Sapienza" em Roma, onde ministra aulas de psicologia clínica no departamento de medicina. Atua também como professor no departamento de psiquiatria da criança e do adolescente.
É diretor e professor no Instituto Winnicottiano, no qual é responsável pela formação de psicoterapia Psicanalítica de crianças e adolescentes.
Diretor do centro Winnicottiano de Roma, vice-presidente da Federação Europeia Psicanalítica pelos últimos 4 anos. É membro da comissão editorial europeia do "International Journal of Psychoanalysis". Foi premiado em 2001 e 2009 em importantes concursos psicanalíticos por contribuições à psicanálise. Autor do livro "Nas margens de mundos infinitos..." que será apresentado na noite de conferência do próximo dia 15.

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