quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013



No último dia 22 de fevereiro, o Instituto de Psicanálise da SBPRP abriu oficialmente as atividades do ano letivo de 2013, com a Aula Inaugural intitulada “A construção do psicanalista", que foi proferida pela colega Sra. Nilde Jacob Parada Franch, atual Presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

O evento foi realizado no auditório da SBPRP, no qual estiveram presentes Analistas Didatas, Membros Efetivos, Associados e Membros Filiados.

Sra. Nilde, que também foi Diretora do Instituto de Psicanálise da SociedadeBrasileira de Psicanálise de São Paulo, vem estudando há vários anos este tema, tendo já publicado artigos a respeito.

Nesta aula, teceu interessantes reflexões sobre os requisitos formais para a formação do psicanalista (análise didática, seminários teóricos e clínicos e supervisão didática), assim como, a especificidade da ‘construção’ do psicanalista, que envolve o desenvolvimento de uma identidade enquanto tal, produto de um profundo conhecimento de si e do desenvolvimento da capacidade de apreensão da teoria e técnica psicanalíticas, mais do que a simples repetição de um método de abordagem do mundo psíquico.

Além disso, expôs de forma clara, evocando sua experiência como analista de crianças e adolescentes, a especificidade desta formação e o enriquecimento que o psicanalista de adultos desenvolve ao contatar com este campo de conhecimento, especialmente com a técnica da análise de crianças.

O evento foi encerrado com um coquetel, para brindar esta importante atividade anual que congrega toda a Sociedade.

Guiomar Papa de Morais
Diretora-secretária do Instituto de Psicanálise da SBPRP

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Narciso (1594-1596), por Caravaggio


Dentre os trabalhos que serão apresentados em nosso Evento Preparatório para o Congresso Brasileiro de Psicanálise Ser Contemporâneo: Medo e Paixão, teremos uma palestra intitulada:

“Medo e Paixão nos Mitos: um modo de olhar a contemporaneidade”, da psicanalista da SBPRP, Maria Aparecida Sidericoudes Polacchini.

Por que falar de Mitos em um evento que se propõe a falar do homem nos dias atuais? Que relação pode haver entre os conflitos do homem que vive em uma sociedade moderna e seus ancestrais?

Os Mitos, apesar de surgidos há milênios, não perderam seu frescor e permanecem  representantes das experiências internas do homem, e, numa via de dupla mão, dão forma e são influenciados pela forma do pensar humano. São uma fonte inesgotável na qual sempre podemos beber. Muito mais que narrar os “fatos” sobre a origem do mundo, dos deuses, dos animais, do próprio homem, dos acontecimentos primordiais, revelam a forma que o homem pôde apreender e significar esses “fatos”.  Forma essa, em constante mutação, que resulta na maneira como o homem se reconhece  hoje: um ser mortal, sexuado, organizado em sociedade,  que vive  de acordo com regras determinadas de conduta e relações interpessoais.  Paradoxalmente, essa forma resultante coloca o homem imerso em um mundo de conflitos  e ambivalência, remetendo-o novamente aos Mitos.

Os Mitos são atemporais. Temas como amor e ódio, vida e morte, rivalidade e vingança, fidelidade e traição, dentre tantos outros, são representados nos Mitos de maneira que expõe todo um expectro de experiências emocionais do homem, expõe o que há de mais substancial na existência humana. Os Mitos desnudam a desmedida, essa força pulsional que, por um lado, movimenta o psiquismo e impulsiona o desenvolvimento humano, por outro, fragiliza o homem.  Portanto, falar de medo ou de paixão existentes nos Mitos, é também falar da humanidade, do homem antigo, do homem de hoje,  de cada um de nós.

Os psicanalistas, desde os tempos de Freud, reconhecem os Mitos como representações das experiências humanas, uma trilha que muito tem contribuído para a elaboração e desenvolvimento do campo de  conhecimento da psicanálise, para o desenvolvimento dessa forma de olhar o mundo. Segundo Mircéa Eliade, mitólogo, a riqueza de “conteúdos humanos” nessas narrativas multisseculares permitiu que o criador da psicanálise localizasse com certa precisão todos os protótipos que ancoram suas descrições a cerca da vida inconsciente do homem, objeto da psicanálise.

Inconsciente: invisível, infinito, onipresente, onipotente... Inconsciente, tal como os deuses do Olimpo, também um mito?

Psicanálise e Mitos, além de tantas outras afinidades, podem ser compreendidos como instrumentos que viabilizam o  conhecimento da resposta simbólica do homem, no passado e na atualidade, diante da Natureza e da natureza de sua psique, diante das intempéries dessas naturezas. Ou, voltando à ...contemporaneidade, também viabilizam a compreensão da possibilidade de carência dessa resposta simbólica.

Fabiana Elias Goulart de A. Moura
Membro Filiado da SBPRP



Este será um dos temas  a serem abordados durante o Pré- Congresso de Psicanálise, em Ribeirão  Preto. 

Clique AQUI e se inscreva!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


"Conheça um pouco da história e no que consiste a formação em psicanálise”

Por Cristiane Sampaio
MTB. 61.431


Olá,

Como prometido, hoje nós voltamos aqui com a segunda parte de uma entrevista informativa sobre nosso Instituto de Psicanálise da SBPRP. A primeira parte realizada com a Diretora e Analista Didata, Dra. Sonia Maria Mendes Eleutério Mestriner, foi um sucesso. Ela nos trouxe um pouco da história do Instituto que vem formando profissionais em Psicanálise há 19 anos aqui em Ribeirão Preto.

E agora que a história foi contada, nesta segunda parte nós trazemos algumas informações essenciais as pessoas interessadas nesta formação em Psicanálise. Quem gentilmente nos forneceu estes dados foi a Diretora Secretária do Instituto e Membro Efetivo da SBPRP, Guiomar Papa de Morais.

Confiram!

SBPRP: Hoje, como funciona o Instituto?

Guiomar: “Manter um Instituto de formação de Psicanalistas é uma das atribuições de uma Sociedade de Psicanálise que é reconhecida pela IPA (International Psychoanalitical Association). O Instituto tem uma Diretoria, composta no biênio de 2012-2014 pela Diretora Dra Sonia Mendes Eleutério Mestriner e por mim, como Diretora Secretária. A Diretoria do Instituto, com o assessoramento da Comissão de Ensino, que é formada pelos Analistas Didatas,  coordena todas as atividades ligadas a formação dos Membros Filiados até a sua passagem para Membro Associado, que então passa a fazer parte  da Sociedade de Psicanálise”.

S: Quais as etapas da formação? Existe um nível hierárquico? Em média, são quantos anos de estudo e preparação?

G: “O interessado (Psicólogos e Médicos) se inscreve e passa por um processo de seleção. Concluída a primeira etapa da seleção, o Membro Filiado (assim denominado os que são aprovados) ingressa no Instituto de Psicanálise e inicia sua análise didática, com um Analista Didata da sua escolha, que deve durar no mínimo 5 anos. Ao final de um ano, após passar pela segunda etapa da seleção, inicia os Seminários Teóricos, que são distribuídos em quatro anos e que consiste em um estudo sistemático e aprofundado dos principais autores da Psicanálise, passando por Freud, Klein e Bion, e alguns autores contemporâneos, como Ogden, Meltzer e Winnicott.  Concomitante aos Seminários Teóricos e após concluir os Seminários de Técnica Psicanalítica, o Membro Filiado inicia as Supervisões Didáticas, apresentando no final de cada uma, um relatório do caso supervisionado. Cumpridas estas etapas, o Membro Filiado pode requerer sua passagem para Membro Associado, passando a ser Psicanalista e fazer parte da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto, da Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI), da Federação Psicanalítica da América Latina (FEPAL) e da International Psychoanalitical Association (IPA). 

O tempo regular que o Membro Filiado fica ligado ao Instituto realizando os seminários teóricos e clínicos é de quatro anos. O diferencial de cada Membro Filiado acontece nas supervisões didáticas e apresentação dos relatórios. Gostaria de ressaltar que na realidade, não se conclui a formação de um Psicanalista quando ele simplesmente finaliza estas etapas regulares e requer sua passagem para Membro Associado. O Instituto fornece as bases consistentes e estruturadas, mas a formação é contínua e para a vida toda e depende diretamente do interesse e da dedicação de cada um. Já sendo Membro Associado da Sociedade, ao cumprir os requisitos que constam no Regulamento, por exemplo, apresentação de trabalhos, participação na vida societária, entre outros, pode requerer sua passagem para Membro Efetivo e, cumprindo então outros requisitos, pode solicitar a função de Analista Didata, sempre com a avaliação e aprovação da Comissão de Ensino”.           


S: Quem pode se tornar Membro Filiado do Instituto de Psicanálise? Quais as exigências?

G: Atualmente, na Sociedade de Ribeirão Preto, exige-se quatro anos de graduação em Psicologia ou Medicina, apresentação do curriculum vitae e da autobiografia, expondo a motivação e o interesse para a procura da formação psicanalítica. O inscrito então passa por um processo de seleção que consta na análise desta documentação e de três entrevistas individuais, sendo uma com um Membro Efetivo e as outras com dois Analistas Didatas. Os aprovados ingressam no Instituto de Psicanálise como Membros Filiados, seguem as etapas para a formação relatadas acima (análise didática, seminários teóricos e clínicos, e supervisões didáticas) e só então podem requerer sua passagem para Membro Associado da Sociedade”.

Esperamos que este post tenha lhes ajudado e esclarecido as dúvidas. De qualquer forma, estamos sempre conectados e prontos para atendê-los seja por aqui ou na SBPRP. O Instituto também funciona em nossa Sede, R. Ércoli Verri, 230 – Jd. Ana Maria – T: 3623-7585.

Até o próximo post!


  

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


“Conheça um pouco da história e no que consiste a formação em psicanálise”

Por Cristiane Sampaio
MTB. 61.431


Olá,

Hoje nós preparamos um post especial, histórico e informativo para vocês. Quase que todos os dias nós somos questionados aqui no blog ou até mesmo no facebook sobre pessoas interessadas em se tornar um ou uma Psicanalista. As perguntas giram em torno de o que devem fazer? Como funciona o curso? São quantos anos?, entre outras...

Pensando nisso, resolvemos contar um pouco da história do Instituto de Psicanálise e mostrar, em consiste a formação em Psicanálise. Como são muitas informações, nós dividimos este post em duas partes. Na primeira, vamos entrevistar a atual Diretora do Instituto, a Analista Didata Dra. Sonia Maria Mendes Eleutério Mestriner, que vai abrir a entrevista nos contando um pouco desta história. Acompanhem!

SBPRP: O Instituto já existe há quase dez anos e vem acompanhado de uma grande história de sucesso. Como se deu o início? Conte-nos um pouco dessa história?

Dra. Sonia:O Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto foi criado em 8 de setembro de 1994, quando foram aprovados os estatutos provisórios do Grupo de Estudos de Psicanálise de Ribeirão Preto,  posteriormente reconhecido pela IPA (International Psychoanalitical Association) como Sociedade Provisória e finalmente como uma Sociedade de Psicanálise independente, e do seu Instituto de Formação. O Grupo de Estudos originou-se de um grupo de profissionais,  que estavam em formação pelo Instituto da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e de um psicanalista que havia feito sua formação psicanalítica no Rio de Janeiro, que se reuniam aqui, em Ribeirão Preto, para estudar psicanálise e trocar experiências. Outros foram se vinculando a esse grupo, e foi fundado oficialmente, em 21 de setembro de 1984, o Núcleo de Psicanalistas de Ribeirão Preto, uma sociedade civil, com fins científicos e culturais, sem fins lucrativos.

O instituto iniciou as suas atividades teóricas com a aula inaugural proferida pela Dra. Jacqueline Amati-Mehler, membro da Associazione Italiana di Psicoanalisi e, nessa época, secretária geral da IPA, sobre o tema A Linguagem Exilada: Polilinguismo numa Dimensão Psicanalítica. Para essa aula foram convidados os membros do Grupo de Estudos, as três candidatas selecionadas para compor a primeira turma de alunos do Instituto de Formação e outros membros e candidatos de outras Sociedades. Os trabalhos do Grupo de Estudos foram assessorados e fiscalizados por um Sponsoring Committee nomeado pela IPA, que teve, em grande parte do tempo que atuou aqui, a Dra Jacqueline como Chair, e que exerceu suas atividades desde a formação do Grupo de Estudos até sua transformação em Sociedade Provisória e, finalmente em uma Sociedade independente.

O Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto foi se desenvolvendo tanto em número de profissionais que ingressaram no Instituto, nomeados como membros filiados, como na qualidade de seus trabalhos e aprimoramento de seus membros. Este ano iniciará a formação teórico-clínica da VIII turma de membros filiados.

S: Qual o principal objetivo do Instituto?

Dra. S.: “O Instituto tem por objetivo a formação de pessoas em psicanálise, por meio da análise didática e de um programa teórico e clínico, baseado em Freud, Klein, Bion e outros autores, enfatizando o desenvolvimento de qualidades como liberdade com responsabilidade, pensamento criativo, curiosidade a respeito de si mesmo, competência, ética e consciência de suas individualidades e do outro. Desse modo visa a salvaguardar e promover o desenvolvimento da psicanálise como técnica terapêutica, pesquisa e ciência. A Diretoria do Instituto, com o assessoramento da Comissão de Ensino, repensa constantemente sobre o analista que visa formar comparado ao que formamos.

O Instituto também realiza, supervisiona e administra os trabalhos referentes à formação analítica e a promoção de seus membros, mas também se preocupa com a construção do analista, não só durante o período de formação, mas também com as bases e a manutenção dessa construção. A construção de um analista é um processo contínuo, um vir-a-ser. É sobre esse tema: “A construção do analista”, que a aula inaugural das atividades deste ano letivo, a ser ministrada em 22 de fevereiro pela Sra. Nilde Parada Franch, membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, tratará.




SBPRP: O que caracteriza a Formação em psicanálise reconhecida pela IPA e qual a diferença desta em relação a outros tipos de formação não reconhecidas?

Dra. S.: “A IPA é uma associação internacional, fundada em 1910, que visa agregar, estabelecer padrões, orientar e supervisionar os trabalhos das diversas Sociedades componentes e de seus Institutos de Formação, o que segundo Freud evitaria os abusos decorrentes da divulgação da psicanálise, e também a discrimina de outras práticas. A formação do analista, desde o seu início oficial na Policlínica de Berlim em 1920, baseia-se em três pilares, aprovados pela IPA em julho de 2006: análise pessoal, seminários teóricos e clínicos e supervisões clínicas. Muitos consideram um quarto pilar: a instituição, com suas características decorrentes da sua história específica e rede das relações transferenciais e contratransferenciais entre seus componentes, em constantes transformações. A ênfase dada a cada um desses pilares varia, tanto é que a IPA reconheceu três modelos de formação, e também varia de um Instituto a outro, mesmo que dentro de um mesmo modelo. Essa Instituição internacional com suas subdivisões regionais como a FEPAL (Federação Psicanalítica da América Latina) e a FEBRAPSI (Federação Brasileira de Psicanálise) cria as condições para que haja qualidade e consistência na pesquisa, prática psicanalítica, transmissão e divulgação da psicanálise, um intercâmbio eficiente e debates científicos entre as várias instituições psicanalíticas internacionais e nacionais. Penso que isso diferencia uma Sociedade pertencente à IPA de outras formações analíticas”.

SBPRP: Existe algo que diferencia a formação aqui em Ribeirão Preto, existe uma marca de nosso Instituto que seja diferente, inclusive de outras formações oficiais?

Dra. S.:É evidente que a formação aqui em Ribeirão Preto guarda a especificidade que cada uma das Sociedades de Psicanálise e seus Institutos apresentam, em vista da particularidade de seus membros e de suas relações.

Não diria que algo é próprio apenas da formação em nosso Instituto, mas temos algumas características que, com base em nossa experiência, consideramos importantes na formação de um psicanalista, como o número de sessões de análise (no mínimo de quatro sessões semanais) tanto para a análise do analista em formação quanto para os pacientes supervisionados. Observamos que isso permite uma ampliação da possibilidade do paciente estar em contato consigo mesmo na relação com o analista, em um processo dinâmico de vir a ser aquilo que se é, e da capacidade de pensar. Também mantemos o número de três supervisões oficiais, realizadas ao longo da Formação, sendo que o membro filiado pode realizar a terceira supervisão com um analista didata de outra Sociedade componente da IPA, enquanto observamos que outras Sociedades podem exigir um número menor, como duas. Considerando as especificidades de nosso Instituto, proporcionamos uma formação oficial de modo que o programa estabelecido, sujeito às constantes modificações proporcionadas pela nossa experiência, seja ministrado a cada turma que ingressa ao Instituto. Também buscamos, além da Formação básica planejada, baseada em Freud, Klein e Bion, oferecer várias outras possibilidades de estudo, da obra de autores como Winnicott, Meltzer, Ogden e outros, supervisões, reuniões científicas, grupos de estudo e realização de eventos que enriqueçam, cada vez mais, a nossa Formação, abriguem vários vértices de pensar a psicanálise e proporcionem a oportunidade a cada um que seja único e tolere a diversidade de pensamentos. Estamos iniciando a experiência com cursos eletivos (optativos) dentro da grade curricular, visando contribuir para que cada um se desenvolva com suas especificidades e de manter o vínculo do Membro Filiado ao Instituto até sua qualificação como Membro Associado. Iniciamos a Formação com a análise didática do Membro Filiado, pela importância que atribuímos à análise na Formação analítica como um modo de entrar em contato consigo mesmo, de desenvolver a capacidade de pensar e ir aprendendo o método por meio dessa realização. Também é a oportunidade de pensar sobre a sua escolha.

A Sociedade de Psicanálise de Ribeirão Preto e seu Instituto de Formação têm a vitalidade como uma de suas especificidades, seus membros trabalham incessantemente, com afinco e qualidade, nos diversos níveis e atribuições, visando um crescimento, contínuo, harmônico e a prevalência de relações de grupo de trabalho”.

Bem, por hoje é isso. Mas na semana que vem vamos postar a segunda parte da entrevista, com a Diretora-Secretária do Instituto, Sra. Guiomar Papa de Morais, que trará de forma mais detalhada as etapas da formação em Psicanálise. O Instituto funciona na própria Sede da Sociedade, R. Ércoli Verri, 230 – Jd. Ana Maria – T: 3623-7585.

Nos vemos no próximo post! 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

          Ser contemporâneo: Medo e Paixão




A finalidade do Evento Preparatório, como o nome já  diz, é  nos  prepararmos para o XXIV Congresso Brasileiro de Psicanálise que ocorrerá de 25 a 28 de setembro na cidade de Campo Grande-MS. Desejamos que funcione como uma espécie de aquecimento, um “esquenta”, numa linguagem bem jovem e atual. Intencionamos pensar e discutir sobre o tema do congresso desse ano: Ser contemporâneo, Medo e Paixão. Também, desejamos que esse evento preparatório estimule os colegas a produzirem trabalhos e a participarem do congresso. O tema do congresso desse ano foi inspirado na obra de Freud Totem e Tabu: uma homenagem em comemoração aos 100 anos de sua publicação e um estímulo a retomar, como a obra se propõe, o percurso desde um tempo mítico até o tempo atual, extremos do espectro mental que transitamos ininterruptamente.

Marion Minerbo estará conosco no evento preparatório e falará sobre Ser e Sofrer, Hoje. Seu texto agrega as qualidades acessível e complexo. Nele revemos conceitos como Modernidade e Pós-Modernidade e “suas” diferentes formas de sofrimento psíquico: um sofrer neurótico e outro não neurótico. O texto nos leva a pensar na relação entre o enfraquecimento dos sólidos símbolos da Modernidade  - tais como as instituições Família, Educação, Religião, Política, e, micro instituições como psique materna e família edipiana, dentre outras -  e a  depleção simbólica dessas instituições provocando uma carência de referências identitárias. Tal carência é o substrato para o surgimento de novas formas de sofrimento psíquico. O Mal estar na Civilização Contemporânea ligado à fragilidade do símbolo é um sofrimento existencial consubstancial com a forma de subjetividade de nossa época, é uma forma de ser:  são as formas de sofrer necessariamente consubstanciais à forma de ser. Por um lado, as pessoas se vêem livres para se “reinventarem”. Por outro, “reinventar-se” a partir de “si mesmo” é uma tarefa solitária que faz brotar angústia, muitas vezes arrebatadora. Olhando essa nova forma de ser dentro de um espectro, vemos desde um sofrimento psíquico relacionado ao plano existencial de cada indivíduo chegando até à psicopatologia. Nesse último extremo encontramos formas de sofrimento ligadas à experiência do vazio, da falta de sentido e do tédio existencial, e, às vezes, até como recurso para tamponamento da experiência do vazio, as atuações dos mais variados tipos, através das quais a violência pulsional permeia as relações intersubjetivas.

A crise das Instituições no Pós-modernismo infiltra e opacifica nossas certezas, nossas verdades absolutas. Tudo é relativo e tenta-se a construção da própria identidade apoiando-se nesse solo movediço. Alguns conseguem e outros não, experimentando-se perdidos e sem rumo. Diferente da depressão, experiência na qual o sujeito sofre e perde a esperança de realizar o seu desejo, nesse solo movediço o sujeito pode descobrir-se sem desejos. No lugar da experiência de tristeza pela perda surge a experiência do vazio. Quando nesta, na experiência do vazio, o sujeito clama por novas  abordagens clínicas que implicam em tecer com, cotecer algum sentido onde ainda não há, e, portanto, num analista compromissado em ser não “apenas” um intérprete, mas um  outro-sujeito, um co-autor dentro da relação que acontece.

Marta Dominguez Sotelino
Membro Filiado da SBPRP


Gostou das ideias e quer participar? Clique aqui!

O Pré- Congresso será realizado em 13 de Abril, na cidade de Ribeirão Preto. Saiba mais!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Foto: Edmund Engelman, 1938(Sigmund Freud´s Collection).

O título do XXIV Congresso Brasileiro de Psicanálise, “Ser contemporâneo: medo e paixão?”, remete necessariamente a uma primeira pergunta.

O que é ser contemporâneo?

A partir dessa primeira questão, tão ampla, é possível pensar em várias possibilidades. No dicionário da língua Portuguesa, contemporâneo significa: 1 Que é do mesmo tempo; que vive na mesma época; coetâneo, coevo. 2 Que é do tempo atual (presente).

A idade contemporânea é o período da história do mundo ocidental, que se inicia a partir da Revolução Francesa (1789) até os dias de hoje. A corrente filosófica vigente foi o iluminismo, que elevava a importância da razão. As ciências nas mais diversas áreas foram se desenvolvendo, descobrindo novas tecnologias. E fortalecendo a crença de uma civilização humana que progredia, evoluía com novos conhecimentos adquiridos. Assim, certamente o futuro seria um lugar melhor. O mundo se apresentaria de um modo previsível, controlável e desenvolvido. O mundo se apresentaria iluminado pelo conhecimento das ciências!

O que vemos ao olharmos ao nosso redor?


Segundo um filósofo italiano, Giorgio Agamben, “contemporâneo é aquele que mantém o olhar fixo em seu tempo, para perceber não as suas luzes, mas sim as suas sombras. Todos os tempos são, para quem experimenta sua contemporaneidade, escuros. Contemporâneo é quem sabe ver essa sombra, quem está em condições de escrever umedecendo a pena nas trevas do presente.”                                                                                                                                                                 

Não se prender a um tempo é poder desenvolver um olhar de movimento entre o passado e o presente, conjecturando o futuro. Poder refletir se atentar para as partes claras, obvias, mas também para as escuras, que não emitem luz, ora passam despercebidas, ora absorvem a luz existente nos levando a experiências de dúvidas e incertezas:

“Perceber no escuro do presente essa luz que procura nos alcançar e não pode fazê-lo, isso significa ser contemporâneo.”

                                                                          Giorgio Agamben

Não construímos um futuro sem transitar, como um pêndulo, pelo presente e passado. A obra “Sleepover”, imagem escolhida para nosso evento, é o retorno do artista plástico Christie Brown ao transitar pelos fragmentos arqueológicos que pertenciam à Freud. O passado fazendo parte da construção e apreensão do presente, fazendo parte do que significa ser contemporâneo.

Marystella Carvalho Esbrogeo
Membro filiado da SBPRP


Fotos: Edmund Engelman, 1938-"Portrait of Sigmund Freud at desk with antiquities"(Sigmund Freud´s Collection); Christie Brow "Sleepoover (Freud Museum)".

E aí gostou do texto? Então, não perca tempo. Clique AQUI e se inscreva para o pré-congresso, onde vamos abordar este assunto e muito mais!

Ninguém vai perder!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Por Cristiane Sampaio
Mtb. 61.431




Olá,

A partir de hoje, o blog da SBPRP postará uma série de entrevistas sobre os assuntos que serão abordados durante o Pré-Congresso Brasileiro de Psicanálise a ser realizado em Ribeirão Preto no dia treze de abril de 2013 com o tema “Ser contemporâneo: Medo e Paixão”. Abrindo a série teremos um bate-papo com a Psicanalista, Maria Aparecida Sidericoudes Polacchini, Analista Didata da SBPRP, que no evento apresentará o trabalho “Medo e Paixão nos Mitos: um modo de olhar a contemporaneidade”. Acompanhem!

SBPRP: A escolha do tema para o próximo Congresso foi muito oportuna e relevante. Como a senhora pretende abordar esta temática neste evento preparatório?

Maria: O tema contemplado para o Congresso Brasileiro é “Ser contemporâneo: medo e paixão”. Em nosso Pré-Congresso, abordarei os medos e paixões do homem como elementos intrínsecos à sua natureza, e o farei apresentando algumas questões que possam configurá-los na contemporaneidade e outras em que esses mesmos elementos perpassam um tempo social, cultural e histórico”.
 
S: A senhora fará uma relação do Medo e da Paixão nos Mitos, o que os participantes podem esperar sobre esta palestra?

M: “Pretendo me pautar em alguns conhecidos mitos gregos, sobre os quais farei um breve relato, para que possamos fazer um contato com essas narrativas e, a partir das mesmas, levantarei algumas questões nascidas da experiência clínica, para que nos ajudem a repensar expectativas e também inquietações da vida humana, tanto na atualidade quanto na sua atemporalidade”.

S: Pensando em psicanálise, como seria este modo de olhar a contemporaneidade?

M: “Nada do que é humano é alheio à Psicanálise, cujo objeto de estudo é a realidade psíquica, nas suas invariantes e transformações. A Psicanálise sempre dialogou com as produções culturais da humanidade e as narrativas míticas expressam realizações criativas e culturais do homem. Os mitos gregos falam da realidade humana, de seus sonhos, de suas paixões, de seus temores, de sua força, de sua fragilidade, portanto, quando a Psicanálise faz essa interlocução com a Mitologia, acreditamos na fecundidade dessa parceria a ampliar nossa visão sobre a vida humana e a realidade psíquica”.

E aí gostou? Então, não perca tempo. Clique AQUI e se inscreva para o pré-congresso!

Ninguém vai perder!


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#Saiba mais sobre a palestrante

Maria Aparecida Sidericoudes Polacchini – formada em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP), especialização em Orientação Psicodinâmica pelo Instituto Sedes Sapientiae (SP) e formação psicanalítica pelo Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e membro associado dessa instituição. Membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP). Docente do Instituto de Psicanálise da SBPRP, coeditora da Revista Bergasse 19 da SBPRP e editora regional da Revista Brasileira de Psicanálise da SBPSP.

Trabalhos publicados:

·         POLACCHINI, M. A. S. O processo analítico em relação a certos estados mentais gerados na tensão da tríade do “amor, ódio e conhecimento”. In: Reflexões psicanalíticas 2009. São Paulo: Artes Médicas, 2010, p. 121-136. (trabalho também apresentado no XXII Congresso Brasileiro de Psicanálise da Federação Brasileira de Psicanálise)

·         POLACCHINI, M. A. S. A interpretação como capacidade de pensar do analista. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. Bergasse 19. Vol. I, nº 2, 2010, p. 87-101.

·         POLACCHINI, M. A. S. Comentários sobre “Modalidades de encontro analítico” de Fernanda Sivaldi Roberti Passalacqua. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. Bergasse 19. Vol. II, nº 1, 2011, p. 149-154. (trabalho também apresentado em Pré-Congresso da SBPRP)

·         POLACCHINI, M. A. S; et. al. Sobre alegrias e dores. Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. Bergasse 19. Vol. II, nº 2, 2011, p. 62-72. (trabalho também apresentado em Reunião Científica da SBRPR)

·         POLACCHINI, M. A. S. Transmissão da Psicanálise: o valor da formação e instituição psicanalíticas. Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. Bergasse 19. Vol. III, nº 1, 2012, p. 55-72. (trabalho também apresentado no Eixo Didático do Congresso Brasileiro de Psicanálise de 2011)



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