segunda-feira, 30 de maio de 2016


Cinema & Psicanálise Ribeirão Preto

Apresenta no dia 3 de Junho o filme Medianeiras (Gustavo Taretto)
Comentários de Maria Bernadete Figueiró de Oliveira (psicóloga e membro filiado da SBPSP e membro convidado da SBPRP)
Local: Anfiteatro da Unidade de Emergência (UE) da FMRP-USP
Rua Bernardino de Campos, 1000
Sessões às sexta-feiras, 19h30.


Medianeiras é um filme que nos mostra uma narrativa rica em metáforas quanto às necessidades afetivas e, ao mesmo tempo, evidencia paradoxos à respeito da vida humana contemporânea. Essas questões podem ser vistas sob os aspectos da subjetividade e  da relação com o outro,  inserido no contexto das cidades, da entrada do ciberespaço, da modernidade, e da influência nas relações sociais e culturais. O desenvolvimento tecnológico e da realidade virtual compondo e contrastando com a vida afetiva e social. Aborda com profundidade e com certo bom humor questões existenciais, como a solidão, o desencontro , a busca do outro e o  resgate da esperança nas relações afetivas humana.
A criação cinematográfica de Gustavo Taretto nos aproxima do mundo interno dos personagens através do jogo entre narrativas e imagens, inclusive com desenhos animados, das experiências emocionais vividas por eles, bem contextualizado na modernidade. Diante desse quadro, como pensar psicanaliticamente a virtualização? Como lidar com o paradoxo experiência emocional compartilhada, ou seja, vivida na presença do outro, do encontro  presencial  e com  a  ausência do outro,  muitas vezes preenchida pelo virtual? Como pensar o desenvolvimento das capacidades simbólicas e  a  solidão? 
São várias questões que surgem diante desse filme. Questões que nos inquietam e ao mesmo tempo nos ajudam a pensar sobre as relações afetivas e sociais no nosso mundo contemporâneo. Vamos vivenciar através do cinema a possibilidade de nos nutrir intelectual e afetivamente a nossa mente? Vamos compartilhar esses pensamentos?

Aguardamos vocês no dia 03 de junho , às 19:00h , no Anfiteatro da Unidade de Emergência do

Hospital das Clínicas , para esse frutífero encontro presencial ! Até lá .

Maria Bernadete Figueiró de Oliveira (psicóloga e membro filiado da SBPSP e membro convidado da SBPRP)


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Cinema & Psicanálise Ribeirão Preto

No dia 29 de abril aconteceu mais um Cinema e Psicanálise, promovido pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP).
Foi apresentado o filme “Her” e para comentá-lo tivemos a presença da Psicanalista Patrícia R. Tittoto, Membro Associado da SBPRP e Diretora de Cultura e Comunidade da SBPRP

Patrícia Rodella de Andrade Tittoto

Patrícia nos presenteou com sua sensiblidade trazendo questões  importantes para pensarmos a nossa vida hoje. Estas questões instigaram o grande público presente (mais de 100 pessoas)  para uma conversa descontraída. Agradecemos a Patrícia por esta oportunidade ímpar e a todos que compareceram.


Esperamos vocês para o próximo Cinema e Psicanálise, dia 03 de junho, no Anfiteatro da UE, com o filme "Medianeiras" e comentários de Maria Bernadete Figueiró. 


terça-feira, 24 de maio de 2016

IV Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP 
"Psicanálise e Tecnologia: Diálogos Possíveis"
IV Bienal de Psicanálise e Cultura
Psicanálise e Tecnologia. Diálogos Possíveis.

Abertura, Theatro Pedro II, 19 de maio de 2016.
Maria Bernadete Amêndola Contart de Assis

Sejam todos bem vindos à IV Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP.
É com alegria que recebemos vocês para compartilharmos ideais, dúvidas e inquietações sobre o tema escolhido para essa edição: Psicanálise e Tecnologia. Diálogos possíveis.
Eu vos saúdo, como diz Fernando Pessoa, e desejo a todos nós, sol que nos ilumine, escuridão que nos permita ver as estrelas (como nos ensina Freud) e chuva que nos fertilize, no decorrer desses dias da nossa Bienal.
Sinto-me feliz e orgulhosa por pertencer a uma Sociedade, cujos membros se empenham para organizar um evento como o que se inicia hoje e, com entusiasmo, oferecem a si mesmos e à comunidade a oportunidade de pensar um tema atual e empolgante.
Na nossa I Bienal, em 2008, a pergunta contida no título era de Júlia Kristeva: Alma, estás aí? Indagávamos sobre os destinos da interioridade do Homem no início de um novo século. Hoje, oito anos depois, a pergunta continua a reverberar. Diante das novidades tecnológicas e das mudanças que elas provocam em nossas vidas, ela se revigora, se fortalece, se intensifica: que Homem está aí? Com que alma? Com quais emoções? Com que condição sonhante? Com quais sofrimentos? Com que perplexidades? Com que medos?
A Psicanálise transita por estas paisagens de dentro (como o belo título do livro de Icleia Borsa Cattani, 2009 sobre as últimas pinturas de Iberê Camargo). É aí – nas paisagens de dentro – que nós psicanalistas instalamos nosso ateliê, na microscopia e na intimidade das relações humanas.
Portanto, nada mais natural do que surgir dentro de uma Sociedade de Psicanálise reflexões sobre as influências das novas tecnologias no interior de cada um de nós. Abrir o diálogo com profissionais das áreas – de comunicação, semiótica, ciências da computação, educação, literatura, antropologia, filosofia, artes cênicas e fotografia – tal como faremos nessa Bienal, é ampliar e aprofundar estas questões, em busca de reunir ideias e sonhos.
Vejam que interessante: Em 2015, o tema do Congresso Internacional de Psicanálise, foi “Mundo em Mudança”. O tema do próximo Congresso, em 2017, será “Intimidade”. Observo no movimento do tema de 2015 para 2017, um olhar que se move em direção ao de dentro, ali onde somos especialistas. Sem reducionismos, no entanto, sem desconsiderar o contexto sócio-cultural em que estamos mergulhados. Tal é o nosso propósito nessa Bienal: olhar para nossa interioridade, questionando sobre os caminhos e descaminhos da intimidade em um mundo em mudança, como se reuníssemos os dois temas dos congressos internacionais.
Falamos de um mundo novo hoje. No entanto, vale lembrar que ele já foi novo quando o Homem primitivo dominou o fogo, já foi novo com a invenção da roda, da pólvora, da prensa, da eletricidade, da máquina a vapor, do telefone, da televisão, do cérebro eletrônico (os mais velhos aqui presentes vão se lembrar de que este foi o primeiro nome do computador); estas novidades mudaram os rumos da Humanidade. Agora parecem pequenas diante da Revolução da Informática, com o advento da Internet, do mundo Virtual.
Em Psicanálise trabalhamos com o princípio de que o novo está sempre presente. É a todo instante. Hoje não sou o que fui ontem e nem o que serei amanhã. Somos novos sempre, a cada experiência vivida. O momento em que vivemos, com tantas novidades, é especial para colocar em evidência o movimento contínuo e permanente da Humanidade. Movimento a ser pensado em suas mais profundas ressonâncias na alma humana.
Convido-os então a se abrirem para o novo: atentos, observadores, curiosos, como as crianças. Despojados de pré-conceitos e de teorias previamente construídas, que podem nos cegar. Entusiasmados com as inquietações nascidas do contato com o desconhecido.
Falando em entusiasmo diante de inquietações, e do gosto pela abertura para o desconhecido, volto a Fernando Pessoa.
Abram-me todas as janelas!
Arranquem-me todas as portas!
Puxem a casa toda para cima de mim!
Quero viver em liberdade no ar,
Quero ter gestos fora do meu corpo,
Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo,
Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras,
Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares,
Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!

Não quero fechos nas portas!
Não quero fechaduras nos cofres!
Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado,
Quero que me façam pertença doída de qualquer outro,
Que me despejem dos caixotes,
Que me atirem aos mares,
Que me vão buscar à casa com fins obscenos,
Só para não estar sempre aqui sentado e quieto,
Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos!
De Saudação a Walt Whitman - Álvaro de Campos.




E assim nos despedimos... mas em breve tem muito mais!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Chegou o grande dia!!

Acontece hoje (19/05) a abertura da IV Bienal e Cultura, apresentação da Orquestra Acadêmica Jovem "ALMA", no Theatro Pedro II.
Agradecemos a todos que acompanharam nossas postagens e aproveitamos para convidar os inscritos a comparecer à abertura no Theatro Pedro II, cada inscrito tem direito a um acompanhante.
Inscrições abertas na quinta-feira (19/05) das 16:30 às 19:30 e sexta-feira (20/05) a partir da 7:30 no Centro de Convenções Ribeirão Preto, Rua Bernardino de Campos, 999. Sujeito à disponibilidade de vagas.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

IV Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP

Informações: www.sbprp.org.br/bienal
#IVBienal

Espaço compartilhado

Psicanalistas e público realizarão um diálogo informal sobre essa nova realidade, o mundo digital! 

Na IV Bienal, além das Palestras e Conferência, abriremos um “Espaço Compartilhado”, no qual o público terá a oportunidade de uma informal troca de ideias com os psicanalistas, apresentando a eles suas dúvidas, inquietações e também experiências que vem sendo realizadas na clínica com o uso de ferramentas do mundo digital. Será, portanto, também um Espaço de Conversa à respeito  de uma  das prementes indagações sobre o uso da Tecnologia neste campo de trabalho.

Entrevistas recentes que abordam questões relacionadas à IV Bienal. Acesse os links:

Entrevista de Darín ao Canal Brasil

Entrevista de Rudinesco à folha de São Paulo


terça-feira, 17 de maio de 2016

IV BIENAL DE PSICANÁLISE E CULTURA DA SBPRP


Inscrições: www.sbprp.org.br/bienal
#IVBienal


A Tecnologia impacta, pressiona e direciona o destino da humanidade. Conscientizar-se deste processo é indispensável. A IV Bienal se propõe a repensar a trajetória vivida pela humanidade, levantar questões atuais e indagar sobre os movimentos futuros, especialmente no âmbito do Pensamento e da Cultura. Nesta perspectiva, a Mídia Virtual estará em cena nestes debates, na medida em que pressiona e influencia o modo de pensar na Arte, na Cultura, na Publicidade e, também, na Psicanálise. Este tema será tratado pelo teatrólogo e psicanalista Dr. Julio Cesar Conte e pelo respeitado filósofo Prof. Dr. Reinaldo Furlan, na palestra “Cultura no ambiente tecnológico”.  Com este tema, Prof. Furlan tratará da instigante questão da “barbárie dos tempos modernos e o desmoronamento da cultura”.


Dr. Julio Cesar Conte, ministrará o curso “Ampliações do Mito de Édipo”.
Freud, ao redescobrir Édipo, na tragédia de Sófocles, toma este mito como base da organização e desenvolvimento da vida mental e social.  Entretanto, a realidade da aceleração tecnológica afeta a dimensão psíquica e relacional. Entre uma invenção e outra o sujeito é pressionado incessantemente, sem tempo de elaboração e maturação para, no curso de seu desenvolvimento, poder recriar-se. Dr. Julio Cesar Conte, psicanalista e experiente teatrólogo, em seu Curso “Ampliações do Mito de Édipo”, considerando que “o sujeito somente se inventa na sua particular subjetividade enquanto obra de arte”, trabalhará na “decomposição das múltiplas estruturas narrativas que envolvem o referido mito”, estendendo estas reflexões da Clínica à Estética.

Júlio Cesar Conte
Formado em Medicina e Teatro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre, Membro Fundador do Instituto Wilfred Bion de Porto Alegre, instituição que organizou o Encontro Internacional de Bion em Porto Alegre em 2011, Membro Pleno no Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre, no qual vem ministrando seminário permanente sobre A Memória do Futuro, Diretor de Teatro e Dramaturgo.

Reinaldo Furlan
Tem formação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1982), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (1993) e doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (1997). Realizou estágio de pós-doutorado na Universidade Jean Moulin, Lyon 3, França (2013-2014). Atualmente é professor livre-docente da Universidade de São Paulo. Atua como professor de filosofia no curso de Psicologia (graduação e pós-graduação) da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP. Sua área de formação é a filosofia francesa contemporânea, e seu projeto de pesquisa atual é desenvolver uma fenomenologia da vida social contemporânea, investigando, de um ponto de vista psicossocial, problemas e desafios da sociedade moderna contemporânea, em particular, o tipo de subjetividade produzida na forma de vida atual promovida pela expansão do neocapitalismo.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Semeando a Psicanálise de Franca


sexta-feira, 13 de maio de 2016

IV Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP

Inscrições abertas até quarta-feira (18/05) na secretaria da SBPRP, à Rua Ércole Verri, 230 das 08:30h às 17:30h.

A partir de quinta-feira (19/05) às 16:30h no Centro de Convenções, à Rua Bernardino de Campos, 999. Sujeito à disponibilidade de vagas.

Maiores informações: (16) 3623-7585

Em um dos cursos da IV Bienal, “A experiência do tempo à luz da fotografia contemporânea” teremos uma oportunidade inusitada: o artista Feco Hamburger convidará o “público a explorar de maneira interativa, as relações entre memória e desejo, a partir da investigação do retrato fotográfico”. Sua proposta é “fazer do encontro uma espécie de laboratório disparador de conexões temporais”. Em sua palestra  “Tecnologia em cena; destinos da estética” discutirá o uso da Tecnologia, no caso, o aparato fotográfico, “enquanto mediador e provocador de experiências”.

Feco Hamburger 
Fotógrafo e artista com crescente interesse em outras mídias, Feco Hamburger exploraas porosidades do encontro com o outro e a transformação do objeto pelo olhar em obras em queo sentido daexperiência, do tempo e da matéria são recorrentes. Seu trabalho trama uma relação visível com a natureza das coisas e com o contraditório.Estudou física na Unicamp e lingüística na USP. Já expôs na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Museu de Arte Moderna e no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.Possui obras no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo e na Coleção Itaú de Fotografia Brasileira. Em 2012, recebeu menção especial no Prêmio Brasil de Fotografia.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Cinema & Psicanálise de Franca apresenta: 


Leiam os comentários do Luciano Bonfante sobre o filme "O Duplo" apresentado em 16 de Abril

A todos que estão acompanhando o Cinema & Psicanálise de Franca temos a seguir os comentários do instigante filme “O Duplo”, apresentado em abril, comentários de Luciano Bonfante. Aproveitamos esta oportunidade ímpar de reflexão sobre a aridez, a incompletude, a pluralidade e a miserabilidade que cada indivíduo comporta dentro de si. Assim como, sobre as concomitantes formas de se driblar a dor mental, na tentativa de darmos vazão à vida.

                                                          O Duplo

                                                                              “Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim”
                                                                                                      Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

No início do filme O Duplo, assistimos a uma cena em um vagão de metrô com apenas dois passageiros. Um deles, segurando um jornal, cuja manchete é “Collapse\Colapso”, como se anunciasse o que está por vir, ordena a outra pessoa a deixar assento: “você está no meu lugar”, diz. A segunda pessoa é Simon James, funcionário em um escritório de ambiente claustrofóbico, sem janelas ou luz natural. O prédio da empresa é ligado à estação do metrô pelo subsolo. É constrangedora a falta de reação de Simon ao ceder à exigência do desconhecido. Na mesma sequência, Simon observa uma garota no outro vagão, tenta alcançá-la, mas falha. Trata-se de Hannah, garota que Simon vive observando por uma luneta e almeja conquistá-la, mas não se encoraja em revelar sua admiração. Ao sair do trem, a maleta de Simon fica prensada na porta, ele puxa e fica só com a alça na mão enquanto trem parte. A essa altura, rimos do ridículo da cena, mas lastimamos a inabilidade do rapaz, momento em que a empatia com o personagem está em jogo, e dependerá da identificação do espectador com o personagem. O que segue vai causando estranhamento e nos lançando no absurdo dos acontecimentos na noite interminável do filme, sem cenas à luz do dia.
Simon é um jovem tímido, sem iniciativa, meio desajeitado e isolado da convivência social em um mundo onde as pessoas a sua volta parecem insatisfeitas ou infelizes. Tudo parece dar errado para ele no transcorrer do dia, às vezes, mostrado com comicidade, mas um humor desconcertante, evidente quando Simon é interrogado por dois investigadores de um suicídio testemunhado por ele. Banalizam a vida e a morte dando um tratamento também burocrático para o trabalho deles.
Desde o início, sabemos da fragilidade de Simon e o quanto lhe falta iniciativas e recursos internos para sua sobrevivência. Uma pessoa cujos pensamentos e ações estão em constante conflito, sem sentimento de liberdade, um pássaro que se choca com uma vidraça, como é mostrado numa cena, dentre outras com elementos simbólicos espalhadas no filme. Ele é uma pessoa “sem voz”, sua boca esboça movimento, mas as palavras não se articulam, morrem em seus lábios, e seu desejo emudece. Sabemos que as situações em que fracassa dependem de suas atitudes, mas ele é pouco capaz de lidar com a vida. Na empresa, apesar de insistir nos sete anos de casa, que alega ter, Simon não é reconhecido pelo porteiro, o que o obriga a apresentar crachá a todo o momento, ou forçado a preencher uma ficha de visitante porque ele não existe nos arquivos da empresa, situação que funciona como metaforização para mostrar como ele é anulado por um sistema em que o ser humano é “apenas parte do negócio”, como diz um personagem. Seu chefe sequer o chama pelo nome, tratando-o por Stanley. São modos de anunciar seu desaparecimento como ser humano que “não consta no sistema”, significando uma ameaça à sua subjetividade, sua identidade e senso de existência.
O cotidiano de Simon é transformado com a chegada de um novo funcionário, James Simon, de fisionomia idêntica à de Simon James, mas de personalidade oposta: simpático, assertivo, sedutor e funcionário eficiente.  Com tantas qualidades faltantes a Simon, este passa a sentir-se ameaçado, porém, o espanto de Simon é a semelhança física com James, o que potencializa seu sofrimento. Ele continua perturbado diante de seu “sósia”, sentindo-o como um espectro ameaçador, como se o “duplo” fosse usurpando sua identidade, seu lugar na empresa, e ele fosse desaparecendo. A perturbação na mente de Simon amplia e testemunhamos seu crescente desespero até o desfecho.
Tanto para o leitor do livro quanto para quem assiste ao filme, existe uma dificuldade de compreensão de como se dão os acontecimentos da história. Para o raciocínio lógico linear, ficamos confusos em distinguir os momentos de imaginação, memória, sonho, alucinação ou a realidade material. Ora há clareza de que há apenas um homem dividido, ora de alguém que está interagindo com outra pessoa por quem está se sentindo perseguido. Mesmo porque, livro e filme mostram outros personagens interagindo com “o duplo”. São leituras possíveis porque não é essa a questão proposta. O importante aqui é a “divisão” que o personagem sofre, ou seja, importa a realidade psíquica, a dor da solidão e o sentimento de não existir.
Há um trabalho de Freud (O Estranho,1919), ele desenvolve a ideia da capacidade que nós temos de observarmos a nós mesmos e o sentimento de estranhamento que podemos ter. O próprio Freud experimentou esse sentimento de estranhamento, contando que durante uma viagem de trem, ele se levanta de noite de pijama e, caminhando pelo corredor do vagão, ele olha para o no final do corredor e vê a figura de um “estranho”, e diz que a figura do homem não lhe agradou muito, até então, constatar que era ele mesmo refletido no espelho de uma porta aberta à sua frente. Ele conta que encontrou seu duplo, e experimenta o sentimento de estranhamento. Simon faz o abandono da capacidade de se auto-observar e sente-se invadido por outra parte sua que inicialmente lhe parece estranho por não reconhecê-la como sua.
No caso do filme, essa ideia é útil porque Simon, ao tratar James como completo estranho, abandona o que Freud chamou inicialmente de “censura psíquica” ou “superego” e perde a capacidade de observar a si mesmo, assim toma por estranho o que é parte dele mesmo. A respeito ainda do sentimento de estranhamento, Freud afirma que ele é próprio do reavivamento de complexos infantis reprimidos. Referindo ao tema do duplo como “distúrbio do Eu”, Freud escreve que “são um recuo a determinadas fases de evolução do sentimento do Eu, uma regressão a um tempo em que o Eu ainda não se delimitava nitidamente em relação ao mundo externo e os outros”. Simon sente ser governado por James porque a fronteira entre realidade e fantasia já não mais existe, ele estava assombrado por um fantasma de si mesmo.
Simon desejava ser alguém com características que não conseguia ter. Ele diz: “Não vejo o homem que quero ser em relação ao homem que sou”. Essa condição do personagem confirma que o sofrimento é maior quando há muita distância entre o que se é, e aquilo que se gostaria de ser porque requer lidar com mais frustrações.
Sobre a idealização de um outro Eu, há um detalhe interessante que não consta no livro, mas aparece no filme, que é a figura da mãe de Simon que no filme é mostrada como uma mãe que depreciava o filho.  Se a maneira como um filho existe na mente da mãe é muito importante para a qualidade da existência desde o início da relação como bebê, ela surge como uma mãe invasiva. E nas cenas que ela surge, está sempre acompanhada de outra figura, sempre  fazendo duras críticas a ele.  A hipótese é que dessa relação formou-se “uma figura interna que se configura como um alguém que retira todos os seus valores e aponta seus fracassos: um estado mental anormal da mãe que condena o bebê por não se adequar ao seu ideal preestabelecido” (O’Shaughnessy,1999).
Do contato com a mãe, o vemos na tela constitui seu mundo de fantasias e de um grande delírio de Simon. São imagens bizarras, oníricas, um sonho interminável, desde as visitas feitas a ela, até sua morte e a terrorífica sequência do enterro, mostrado como um pesadelo na tentativa de solução de seu conflito. Simbolicamente, o enterro seria da parte que o persegue, para aliviar sua mente cansada e proteger a outra parte do Eu.
Quanto à Hannah, ela quase não tem função dramática. Inicialmente, sua presença reforça o fracasso em lidar na relação com o outro. Simon está centrado demais em si mesmo para, realmente, interessar-se por Hannah.  Houve a intenção de inserir um gesto romântico, como os brincos que Simon troca pela TV, o que pode representar a tentativa dele de vê-la, de fato, como uma parceira. No livro não há o pretenso par romântico e não é essencial para contar o drama dele.
No entanto, Hannah acaba tendo uma função importante, principalmente, na cena final, que me lembrou a afirmação do filósofo irlandês Berkeley: “Ser é ser percebido/esse es percepiti” que é pertinente à cena de Simon deitado na ambulância, seu olhar conectado a o olhar de Hannah, usando os brincos presenteados por ele. Isso remete ao olhar materno que Simon pode não ter vivido, de acordo com a mãe mostrada no filme e seu sentimento solidão indica algo da qualidade da relação com a mãe no início de sua vida. Podemos pensar que Simon é olhado daquela maneira pela primeira vez. Já não se sente tão sozinho. Seu corpo pode estar morrendo, mas ele experimenta a verdadeira existência pela primeira vez. É seu nascimento psíquico.
A cena em que Simon diz que seu corpo poderia ser atravessado por uma mão é muito angustiante, traz o pavor do sentimento de não existência e até a necessidade de se cortar para se sentir vivo. Há o risco de se perder a identidade se ela não estiver firmada e bem integrada, antes que se “acostume a morrer”, como alguém diz no filme. Na vida, há o risco de se ser apenas um número, da pulseira da maternidade à lápide tumular, com o intervalo entre um e outro preenchido somente com rótulos e crachás. É trágico o indivíduo não conseguir ter em si um senso de existência, a marca psíquica genuína que o faz único.
Pode-se ser solitário, mas capaz de ser companhia para si mesmo. Frágil e precário, mas com recursos internos para sofrer menos. Sentindo ser muitos, mas todos integrados em um: único, como deseja Simon em sua última fala, “gostaria de pensar que sou o único”. Unicidade que demanda viver a dor da incompletude e consequentes frustrações na relação com o outro diferente mim; capacidade de ser boa companhia para si mesmo, responsabilidade pelo que leva dentro de si, e, a arcar com as escolhas feitas. O escritor Luigi Pirandello resume bem essa ideia: “O aspecto trágico da vida está precisamente nessa lei que o obriga a ser um. Cada qual pode ser um, nenhum, cem mil, mas a escolha é um imperativo”. Mesmo condenados a escolher, é fundamental dar-se conta que em nossa mente são muitos os que nos habitam e, poder viver em harmonia com essas dimensões de nossa mente, é nossa arte, nosso desafio. 
                                                                                  Luciano Bonfante (SBPRP)
                                                                              Lucianobonfante1@gmail.com  

Convite Dra. Silvana Vassimon, Diretora Científica da SBPRP e Coordenadora Geral da IV Bienal de Psicanálise e Cultura.

Inscrições pelo site até dia 12/05.

Inscreva-se pelo site: www.sbprp.org.br/bienal

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Não percam!

Inscrições pelo site até dia 12 de Maio.

Inscrevam-se: www.sbprp.org.br/bienal

#IVBienal


sexta-feira, 6 de maio de 2016

IV Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP

"Psicanálise e Tecnologia Diálogos Possíveis"

Inscrições pelo site: www.sbprp.org.br/bienal
#IVBienal


O que você vê na tela é algo que lá está ou é uma representação?

Na Bienal estaremos expandindo os questionamentos sobre as relações humanas na era tecnológica, com o tema: “Na rede, novas configurações das relações humanas”. Com estes novos feitios de relações e na medida em que a era tecnológica, ao favorecer informações, coloca uma tarefa moral ao homem, a de estar cada vez mais consciente de suas escolhas, a psicanalista Elsa Vera Post Susemihl estará presente nesta mesa apresentando e refletindo sobre estas novas relações, as transformações pessoais e sociais decorrentes disto e suas implicações. O Prof. Dr. Geraldo Romanelli, antropólogo, dará um enfoque especial às mudanças na vida familiar, através da influência das diferentes mídias usadas nos processos de escolarização dos filhos.

Professor Dr. Geraldo Romanelli é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, instituição na qual obteve os títulos de mestre e doutor na área de Antropologia Social. Atualmente é professor aposentado de Antropologia e professor sênior da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e orientador nos cursos de Pós-Graduação de Psicologia e Educação. Realizou e orientou pesquisas voltadas para a análise de diferentes dimensões das relações de famílias de camadas médias e populares investigando a articulação dessas unidades com a sociedade, os diversos modos de arranjos domésticos, a socialização e a educação dos filhos, o exercício da autoridade e do poder e as relações subjetivas entre os integrantes dessas famílias. Os resultados dessas pesquisas e a análise do modo de vida dessas famílias têm sido publicados em periódicos e livros. É parecerista ad hoc de diversos periódicos da área de Ciências Humanas e de órgãos de fomento à pesquisa.



Elsa Vera Kunze Post Susemihl é Psicóloga, Psicanalista, membro efetivo da SBPSP e docente do Instituto Durval Marcondes, Membro do Departamento de Psicanálise com Crianças do Instituto Sedes Sapientiae, professora e supervisora do curso de especialização e de cursos de extensão neste Instituto.
Trabalhos científicos publicados em revistas especializadas (Jornal de Psicanálise, Revista Brasileira de Psicanálise). 
Tradutora da equipe da Nova Tradução das Obras Psicológicas de S. Freud da Imago.
Atualmente membro do Conselho de Assossorial Editorial da Revista Brasileira de Psicanálise.

terça-feira, 3 de maio de 2016

IV Bienal de Psicanálise e Cultura da SBPRP

Inscrições pelo site: www.sbprp.org.br/bienal
#IVBienal


O que mudou desde então?
 Imagem: 2001: Uma Odisseia no espaço (Stanley Kubrick, 1968).

Psicanálise e Tecnologia
Diálogos Possíveis

 A palavra cibernética , do grego, “Kybernetes”, governador, veio a público há aproximadamente oitenta anos (1948), ao se inaugurar a Ciência da Comunicação. A descoberta do processo de automação pelo físico austríaco Norbert Wiener e colaboradores do MIT( Massachusetts Institute of Technology) demonstrou a supressão da barreira entre o cérebro humano e a máquina. O evento da IV Bienal oferecer-nos-á, por meio de reflexões filosóficas, as implicações éticas da automação que, ao substituir o cérebro humano, foi portadora das grandes transformações pela quais a humanidade atravessa, afetando substancialmente os valores da sociedade, com implicações sociais, culturais, políticas e econômicas. A eminente filósofa Prof. Dra. Aléxia Bretas, na conferência “Pensamento e ética na contemporaneidade: perspectivas do humano no limiar entre o animal e a máquina” colocará em pauta a grande questão de “os múltiplos significados de uma virtual dissolução entre as fronteiras que separam o humano, o animal e a máquina”.


 ALÉXIA BRETAS.
Professora da UFABC com doutorado em Filosofia pela USP e pós-doutorado em Teoria Literária pela UNICAMP. Além disso, autora dos livros A constelação do sonho em Walter Benjamin (Humanitas / Fapesp, 2008) e Do romance de artista à permanência da arte: Marcuse e as aporias da modernidade estética (Annablume / Facesp, 2013).
O link para Curriculum Lattes é o seguinte: http://lattes.cnpq.br/9013594251646942.

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