quinta-feira, 27 de junho de 2013

Departamento de Cultura e Comunidade - Parte V
“Grupo de Estudos Mito e Psicanálise”
                                                       
Por Cristiane Sampaio
Mtb. 61.431



Olá,

Hoje, finalizamos uma série de posts de sucesso em nosso blog. Há pouco mais de um mês estamos publicando aqui especiais sobre o Departamento de Cultura e Comunidade da SBPRP.  Para fechar a série com chave de ouro, o post de hoje vai trazer um pouco sobre o “Grupo de Estudos Mito e Psicanálise”, que levanta discussões sobre a relação entre a mitologia grega e a psicanálise criada por Freud.

Acompanhe o que o pessoal nos contou sobre grupo de estudos!

Psicanálise e Cultura estão indissociavelmente entrelaçadas. Freud, dotado de sólida e universal formação cultural, percorreu com desenvoltura a antropologia, sociologia, religião, ocultismo, arte, literatura e filosofia para desenvolver suas teorias psicanalíticas. Ora buscou na cultura a expressão da natureza humana que ele revelava em seus pacientes, comprovando que descrevia fantasias universais próprias do homem, ora utilizou-se da cultura para ilustrar e aprofundar a compreensão de seus achados na clínica. Suas ideias e descobertas influenciaram de modo determinante a cultura ocidental.
 
Freud nos apresentou com maestria o trajeto da natureza para a cultura. Considerou irrelevante a discussão entre cultura e civilização. Utilizou a palavra alemã Kultur referindo-se aos padrões de uma sociedade e ao esforço coletivo para dominar o meio exterior e regular as relações entre os homens. Partindo deste olhar, cultura refere-se a tudo o que se passa no viver social e que permeia as relações humanas, ocorre nos espaços de relações íntimas e está arraigada na construção do psiquismo. Funciona como um continente capaz de dar significado às relações sociais e fornece matéria para o sonho, sonho que se renova constantemente e dá suporte para o viver presente.

O Espaço Cultural da SBPRP propõe-se como um ponto de encontro, um espaço continente, com possibilidade de trocas, reflexões e renovações, estimulando a reflexão sobre as questões culturais e psicanalíticas atuais, capazes de despertar novas possibilidades pessoais, bem como do pensamentos psicanalítico.

Em 2013, o Espaço Cultural da SBPRP criou para seus membros o “Grupo de Estudos Mito e Psicanálise”, coordenado pela Sra. Maria Aparecida Sidericoudes, psicóloga, Membro Efetivo e Analista Didata da SBPRP. Seu trabalho “Medo e Paixão nos mitos: um modo de olhar a contemporaneidade” constitui-se no mote para aprofundar e ampliar as discussões. O objetivo é promover um diálogo entre alguns mitos gregos citados em seu trabalho, com a psicanálise. Os mitos gregos falam da realidade humana, de seus sonhos, de suas paixões, de seus temores, de sua força, de sua fragilidade, portanto, essa interlocução pode ampliar nossa visão sobre a vida humana e a realidade psíquica, nas suas invariantes e transformações.

Coordenação do Espaço Cultural:
Dr. Paulo de Moraes M. Ribeiro e Dra. Silvana Mara Lopes Andrade


Interessou-se pelo Departamento? Procure a sede da SBPRP e participe.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Departamento de Cultura e Comunidade - Parte IV
“Atividades Culturais: Cinema & Psicanálise”


Por Cristiane Sampaio
Mtb. 61.431



Olá,

Dando continuidade à série Conheça o Departamento de Cultura e Comunidade da SBPRP, vamos postar hoje sobre nossas atividades culturais. Vamos começar pelo projeto “Cinema & Psicanálise”, que hoje é coordenado pelo Dr. Paulo de Moraes Mendonça Ribeiro.

Acompanhe e conheça para participar também!

O Cinema & Psicanálise foi um projeto pioneiro em Ribeirão Preto que se iniciou em 1999 como um segmento do “Espaço Cultural” da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP). O "Espaço Cultural" foi originalmente idealizado pela Dra. Lenise Lisboa Azoubel e o objetivo do Cinema & Psicanálise era apresentar ao público em geral o modo psicanalítico de pensar, bem como apresentar os nossos analistas à comunidade, diminuindo o abismo de idealização que havia (e ainda há um pouco) em relação aos analistas e a própria Psicanálise. Além disso, com o intercâmbio com comunidade, a Psicanálise e os psicanalistas também se enriquecem. Neste tempo, as apresentações eram feitas mensalmente e os comentários dos filmes feitos pelos psicanalistas da SBPRP, podendo ou não ser acompanhados dos comentários de um profissional de uma área diferente. Esta fórmula deu tanto certo que o C&P progrediu muito, e proliferou em outros segmentos da comunidade: hoje, Ribeirão tem cerca de cinco projetos semelhantes espalhados pela cidade (como o do campus da USP, do Centro Médico, do Espaço Kaiser, etc.), bem como também nas cidades vizinhas.

Em função desta expansão foi proposta uma reformulação no formato. Visando um aprofundamento no debate científico, passamos a trabalhar temas na forma de Ciclos; por exemplo, estamos organizando para o segundo semestre deste ano o “Ciclo Lars Von Trier”, que tratará dos filmes “Anticristo” e “Melancolia”, que são filmes autobiográficos do diretor e que versam sobre as profundezas da dor na alma humana. Depois faremos ciclos sobre Eros e Tânatos, Ciúme e Inveja, sobre o diretor espanhol Almodóvar, e assim por diante.

Outra novidade é que mudamos o dia do C&P, transferindo-o da sexta-feira para o último sábado do mês, por volta das 15h; o local transferiu-se da Unidade de Emergência para o Instituto Figueiredo Ferraz, um local de arte e cultura por excelência!

Como o local comporta menos pessoas, serão feitas inscrições antecipadamente pelos membros da SBPRP e as vagas remanescentes serão oferecidas à comunidade. A ideia destas alterações foi aproximar a comunidade científica e cultural do pensar psicanalítico e promover um espaço de ciência e lazer para os colegas e os interessados no tema.

O C&P que ocorre em parceria com o SESC, aos domingos, foi mantido pelo sucesso que tem junto ao público da terceira idade, e também ampliado para atender a comunidade das demais “melhores idades” que costumavam frequentar as sessões do C&P da U.E.

Nossa comissão está assim constituída:

COMISSÃO CINEMA E PSICANÁLISE - BIÊNIO 2013/2014

Coordenação: Paulo de Moraes Mendonça Ribeiro Médico e Psicanalista, Membro Efetivo da SBPRP e da SBPSP, Analista-didata da SBPRP

• Assessores:

Andréa Cicciarelli Pereira - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Ana Márcia Vasconcelos P. Rodrigues - Psiquiatra e Membro Associado da SBPRP
Carla Cristina Pierre Bellodi - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Cláudia Fernanda Bianchi - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Cristiane Reberte de Marque - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Lídia Neves Campanelli - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Luciano Bonfante - Psicólogo e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Marta Dominguez Sotelino - Psiquiatra e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Silvana Mara L. Andrade - Psiquiatra e Membro Associado da SBPRP
Sônia Maria de Godoy - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP
Suely de Fátima S. Delboni - Psicóloga e Membro Associado da SBPRP

• Representantes da Comunidade:

Lívia Loosli - Psicóloga

• Representantes em Franca:

Ana Márcia V. de Paula Rodrigues - Psiquiatra e Membro Associado da SBPRP
Sônia Godoy - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP

• Representante em São Carlos:

Silvana Mara L. Andrade - Psiquiatra e Membro Associado da SBPRP
Cláudia Fernanda Bianchi - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP

• Representante em Jaboticabal:

Carla Cristina Pierre Bellodi - Psicóloga e Membro Filiado do Instituto da SBPRP


Interessou-se pelo Projeto? Confira nossa agenda e participe.

No próximo post teremos mais novidades de Cinema & Psicanálise.

Fique atento!

terça-feira, 18 de junho de 2013

 Nos dias 7 e 8 de junho, a SBPRP promoveu o evento “A criança, o adolescente e o psicanalista”.
 
Fomos brindados com a apresentação criativa dos trabalhos de psicanalistas da SBPSP e da SBPRP, enfatizando diversos referenciais teóricos e clínicos.

A participação do público nos momentos das discussões, compartilhando suas experiências, suas dúvidas, enriqueceram os trabalhos e ampliaram o pensamento de cada um de nós.
 Importante também, foi o momento do coffee-break, como um espaço para colocarmos a conversa em dia, conhecermos melhor uns aos outros, além de nos deliciarmos com os quitutes tão saborosos.
 
Em nome da Comissão Organizadora, agradeço a presença de todos,  e espero encontra-los em breve.

Fernanda Passalacqua
Coordenadora do evento

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Departamento de Cultura e Comunidade - Parte III
“Atividades da Comissão de Consultoria e Supervisões”

Por Cristiane Sampaio
MTB 61.431

Olá,

Hoje, vamos continuar a série sobre o Departamento de Cultura e Comunidade da SBPRP. Os assuntos que vamos apresentar serão as “Atividades da Comissão de Consultoria e Supervisões”- Dividimos em três tópicos: Consultoria Psicanalítica; Supervisão dos psicólogos do HCRP e Atividades culturais. Porém neste post, vamos abordar somente as duas primeiras, as Atividades culturais vão fechar a série.

Acompanhe e conheça para participar também! 

Consultoria Psicanalítica

Setor do Departamento de Cultura e Comunidade que atua junto às faculdades de Medicina, Psicologia e outras instituições que desenvolvam trabalho que de alguma forma vise incremento de saúde física ou mental. Atua em parceria com os profissionais dessas instituições quando esses consideram produtivo um espaço para pensar o trabalho desenvolvido sob o vértice psicanalítico: a Consultoria Psicanalítica. A configuração desse espaço tem sido sob a forma de reuniões grupais regulares com o objetivo de identificar focos de sofrimento emocional entre os profissionais envolvidos ou população atendida e propor reflexão psicanalítica adequada.

Coordenação: Sra. Patrícia Rodella de Andrade Tittoto, assessoras: Sra. Andréa Ciciarelli Pereira Lima e Sra. Sandra Luiza Nunes Caseiro.

Clique AQUI e fique por dentro da agenda!

Supervisão dos Psicólogos do HCRP

Desde 2011 fomos consultados oficialmente, via Diretoria Científica, sobre a possibilidade de oferecer uma supervisão mensal no HCRP para os psicólogos e aprimorandos de psicologia que estagiam nos serviços de psiquiatria e psicoterapia do HCRP sob responsabilidade dos psicólogos: Fernanda Tomé Marleta Iezzi (Psicóloga do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, especificamente atuando no Ambulatório de Psiquiatria de Adolescentes); Lívia Loosli (Psicóloga contratada do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do HC-FMRP-USP); Iara de Moura Engracia Giraldi (Psicóloga contratada da Enfermaria A de Psiquiatria do HCRP); Marcus Vinicius Santos (Psicólogo contratado do Hospital Dia Psiquiátrico do HCRP). Esse estágio segue uma orientação psicodinâmica pelos supervisores, assim como pela Professora Responsável, Professora Doutora Sonia Regina Loureiro. Desde o mês de maio de 2012, estamos indo uma vez ao mês no serviço deles, com os nomes sugeridos por nós, para supervisão dos casos clínicos por eles apresentados.

Coordenação: Sra. Sandra Luiza Nunes Caseiro

Interessou-se pelo Departamento? Procure a sede da SBPRP e participe.

terça-feira, 11 de junho de 2013

em cartaz no Projeto Cinema & Psicanálise
Por Cristiane Sampaio
Mtb.61.431

Olá,

No próximo dia 16 de Junho, às 15 horas, o Auditório de SESC Ribeirão Preto será sede de mais uma grande sessão de Cinema & Psicanálise. O filme escolhido para este encontro psicanalítico foi “Chega de Saudade”. Uma narrativa divertida que vai levar as pessoas mais experientes a relembrar os velhos tempos e convidar os mais jovens a quebrar preconceitos e participar da dança. Sejam muito bem vindos ao Baile! 


“A produção da famosa diretora Laís Bodansky e roteiro de Luiz Bolognesi é ambientada durante um baile para pessoas com mais de cinquenta anos, os conhecidos Bailes da Saudade. O foco principal está nas histórias dos personagens, temas fundamentais como: o envelhecimento, a solidão, a saudade, o amor e o erotismo, o ciúme e a traição, e a alegria de viver são abordados. Trazendo sempre como slogan a frase “ouse escolher o que o coração palpita” num clima de muita música e dança, este filme é imperdível pelas reflexões que possibilita”, ressaltou a Psicóloga e comentarista desta sessão, Ana Carolina A. Marinho.

Animou para o baile?

Então, confirme sua presença na página do evento e nos encontre dia 16 para a sessão. Será um sucesso!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

“Clínica da primeira infância: intervenção nas relações pais-bebês”

Por Cristiane Sampaio
Mtb.61.431


Olá,

Hoje, nós encerramos a série de entrevistas sobre o evento “A criança, o adolescente e o psicanalista”, que acontecerá nos dias 07 e 08 de Junho, no Centro Acadêmico Uniseb, em Ribeirão Preto. Deixamos para a última semana um assunto que vem gerando grande polêmica no mundo da psicologia e psicanálise, a “Clínica da primeira infância: intervenção nas relações pais-bebês”. Nossa convidada para falar sobre este assunto é a psicóloga e psicanalista, Doutora Maria Cecília Pereira da Silva, que também fara parte de uma Mesa redonda durante este grande evento.

SBPRP: A psicanálise de crianças, ao longo de sua história, deparou-se com entraves clínicos que possibilitaram o criar/recriar intervenções analíticas. A senhora poderia nos dizer um pouco sobre essas intervenções?

Dra. Maria Cecília: “Os trabalhos de intervenção nas relações iniciais pais-bebê, assim como, avaliações conjuntas pais-crianças pequenas são recursos técnicos inovadores que têm contribuído para a ampliação do campo da psicanálise infantil. Cada vez mais há uma necessidade de auxiliarmos os pais na construção de sua função parental. Acredito também que técnicas inovadoras vêm surgindo do trabalho com crianças com transtornos do espectro autista. Os avanços das pesquisas sobre indicadores de risco iniciais de autismo e as descobertas sobre a plasticidade cerebral têm ampliado as possibilidades de trabalhos preventivos com bebês/crianças muito pequenas e com seus pais, evitando a cristalização de patologias mais graves”.

S: Hoje, é possível reconhecer implicações na interação pais-bebê e possibilitar tratamentos preventivos e terapêuticos?

Dra. M.C.: “O desencontro vivido pelos pais, entre o bebê sonhado e desejado e o bebê real, é cada vez mais comum, criando dificuldades de relacionamento e de comunicação na dupla pais-bebê. Os pais optam por terem filhos mais tarde ficando assim mais distantes de suas vivências infantis. As representações coletivas atuais da infância demandam inconscientemente que estes filhos preciosos sejam perfeitos e, logo suficientemente autônomos. Ao lado disso, as solicitações externas, próprias da contemporaneidade vão ao sentido contrário das necessidades, desejos e intimidade da jovem família, e competem com a entrada no estado de preocupação materna primária[1] ou não favorecem o desenvolvimento das capacidades de rêverie e de continência maternas[2]. Diante dos desencontros afetivos entre pais e filhos, os bebês expressam sua insatisfação somatizando e reivindicando que suas necessidades sejam atendidas. E muitas vezes, os pais têm dificuldade em compreender seus bebês, projetam seus aspectos inconscientes sobre eles e sucumbem diante dos ruídos na comunicação com seus filhos.
O repertório das expectativas parentais parece insuficiente para compreender que filhos tão pequenos possam ser capazes de reclamar[3] ou mesmo de expressar alguma insatisfação de forma incisiva e veemente, o que faz com que essa comunicação seja transformada em sintoma. Por outro lado, na luta para atender o desamparo do bebê, os pais experimentam emoções primitivas desconfortáveis diante da efusiva reclamação ou somatização de seus filhos, tendo que conter a própria angústia ou projetando-a sobre o bebê. Quando encontramos ruídos na comunicação entre a criança e seus pais há fortes riscos de que se desenvolva alguma patologia no bebê.
Além das dificuldades de comunicação entre pais e seus bebês/criança pequena as configurações familiares, gestações de alto-risco (físico e psíquico), morte fetal ou pré-natal, depressão pós-parto e problemas no desenvolvimento do bebê podem demandar uma intervenção no sentido de prevenir problemas no estabelecimento dos vínculos iniciais e/ou auxiliar os pais no exercício da parentalidade.
No processo de intervenção nas relações iniciais pais-bebê, observando a interação pai-mãe-bebê, os pais são encorajados a falar sobre o bebê, sobre eles mesmos, suas famílias de origem, seu passado, sua interrelação como casal e suas repetições de conduta. Colhe-se a história do bebê desde o relacionamento de seus pais com seus próprios pais, até a concepção, nascimento, desenvolvimento e seu sintoma (Silva, 2002)[4], por meio das representações do bebê imaginário, fantasmático, cultural e real, que os progenitores, em função de sua história, têm de  seu filho (Lebovici,1986)[5].
Durante os atendimentos conjuntos com pais, bebês e crianças pequenas é possível construirmos um envelope de continência permitindo a formação de redes de sentido que oferecem um significado aos sintomas dos bebês e condensam uma série de conteúdos primitivos ainda não elaborados, mas que impingem em nossa experiência buscando representação (Mendes de Almeida & outras, 2004)[6].
Assim a Clínica 0 a 3 favorece: que os bebês ocupem um lugar próprio na mente de seus pais; que os “conflitos”, “ruídos” e “projeções” sejam nomeados e contidos, de tal forma que os aspectos inconscientes dos pais não sejam projetados sobre o bebê e que, então, os pais possam atender às necessidades de seus bebês e favorecer seu desenvolvimento emocional.
Além de ser terapêutica, a Clínica 0 a 3 é fundamentalmente uma clínica preventiva, pois permite que desencontros iniciais não se cristalizem em sintomas que demandem cuidados secundários e interfiram no desenvolvimento emocional do bebê e nos sentimentos de confiança dos pais, tão necessários para o exercício da função parental”.

S: Diante dos estudos psicanalíticos já realizados é possível dizer que existe ego no bebê e uma capacidade de diferenciação entre seus processos internos e o mundo externo?

Dra. M.C.: “Sim, hoje sabemos que o bebê nasce com muitas competências, mas depende enormemente de um ambiente ao seu entorno que favoreça seu desenvolvimento, especialmente de uma mãe/cuidador que seja capaz de compreendê-lo e conter suas angustias iniciais”.

S: Existe um conceitual psicanalítico que questiona a ideia de um modelo familiar ideal e busca indicar que o processo de tornar-se pai e tornar-se mãe é um longo percurso que se inicia muito antes do nascimento de um filho. O que a senhora pensa sobre este conceito?

Dra. M.C.: “A respeito disso vale a pena compartilhar uma lenda africana:

Existe uma tribo no leste da África na qual a arte da verdadeira intimidade (podemos chamar de vínculo) é forjada mesmo antes do nascimento. Nessa tribo a data de nascimento de uma criança não é contada a partir do dia do seu nascimento físico nem mesmo do dia da sua concepção, como em outras culturas. Para essa tribo a data de nascimento acontece na primeira vez em que a criança se constitui num pensamento na mente da mãe. Consciente de sua intenção de conceber a criança com um pai em particular, a mãe se retira para sentar-se sozinha embaixo de uma árvore.
Lá ela senta e espera até que ela possa ouvir a canção da criança que ela deseja conceber. Uma vez que ela tenha ouvido essa música, ela retorna ao seu vilarejo e a ensina para o pai para que eles possam cantá-la juntos enquanto fazem amor, convidando a criança a se juntar a eles. Depois que a criança é concebida ela canta para o bebê em seu ventre. Então ela ensina para as mulheres mais velhas e cunhadas do vilarejo, para que durante o trabalho de parto e no milagroso momento do próprio nascimento, a criança seja recepcionada com sua música. Depois do nascimento todos os cidadãos do vilarejo aprendem a música de seu novo membro e cantam para a criança quando ela cai ou se machuca. Ela é cantada em momentos de glória ou crise, em rituais e iniciações. A música se torna uma parte da cerimônia de casamento quando a criança cresce. E no final da vida seus entes queridos vão se reunir em torno de seu leito de morte entoando essa canção pela última vez.(VERNY, 1997)
Acredito sim que a parentalidade é uma função que se desenvolve interiormente quando se origina o desejo de ter um filho e na relação com ele. O bebê “faz” seus pais, assim como os pais “fazem” o bebê existir. Para além da procriação e da função biológica, a parentalidade é produto do parentesco biológico e do processo de tornar-se pai e mãe. É uma reflexão sobre a descendência que implica um complexo processo psíquico-simbólico que articula diferentes perspectivas teóricas num contexto psicossocial. O conceito de parentalidade, portanto, contém a ideia da função parental e a ideia de parentesco, e a história da origem do bebê e das gerações que precedem seu nascimento. (Silva, 2009; Solis-Ponton, 2004)
Nesse sentido, as consultas terapêuticas, buscam favorecer as condições básicas da função parental para que se estabeleça o vínculo mãe-bebê: “a mãe ter maturidade emocional suficiente para poder vivenciar todos os tipos de sentimentos suscitados pelo cuidado do bebê sem senti-los como ameaçadores, o bebê ter capacidade de solicitar o contato, a mãe ter suporte ambiental e um limite de demandas que ela possa suportar.” (Shuttleworth, 1989/1997, p. 29-30). E para que os pais sejam capazes de “gerar amor, manter a esperança, conter a dor depressiva e promover o pensar” (Meltzer; Harris, 1986/1990, p.36)”.

Gostou do tema? Então, corra para se inscrever!

As vagas são LIMITADAS e estão se esgotando. Até o evento as inscrições só serão realizadas na Sede da SBPRP (R. Ércoli Verri, 230 - Jd. Ana Maria - RP). O atendimento funcionará das 8h às 17h30, sem intervalo para almoço.
Nos vemos lá!


[1] Winnicott, D. W. (1956) Preocupação materna primária. In: Textos selecionados. Da pediatria à psicanálise. 4. Ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993.
[2] Bion,W.R. (1962) Aprendiendo de la experiencia. México: Piados, 1991.
[3] ALVAREZ, A. (1992) Live Company: Psychoanalytic Psychotherapy with Autistic, Borderline, Deprived and Abused Children, London and New York: Tavistock/Routledge.
[4] Silva, M.C.P. (2002). Um self sem berço. Relato de uma intervenção precoce na relação pais-bebê. R B.P., 36 (3): 541-565.
[5] Lebovici, S. (1986) À propos des consultations thérapeutiques. Journal Psychanalyse de l' Enfant, 3:135-152.
[6] Mendes de Almeida, M.; Silva, M.C.P.; Marconato, M.M. (2004). Redes de sentido: evidência viva na intervenção precoce com pais e crianças. R. B. P., Vol. 38 (3): 637-648.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Atenção!
Entre os dias 03 e 06/06, as inscrições para o evento serão realizadas na SEDE da SBPRP (R. Ércoli Verri, 230 - Jd. Ana Maria - RP). O atendimento funcionará das 8h às 17h30, sem intervalo para almoço.

As formas de pagamento serão à vista ou por cheque.
Os valores são:

Membros Filiados e Estudantes: R$ 100,00
Membros da Febrapsi: R$ 120,00
Profissionais: R$ 140,00


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