quinta-feira, 17 de março de 2011

Por Cristiane Sampaio
MTB: 61431

Boa noite, pessoal!


Pois bem, se gostaram da história de Freud, vão gostar do que vamos postar hoje. Como prometido, aqui vai um pouco da história da psicanálise.

A teoria criada por Freud em Viena no início do século XX se difundiu por inúmeras áreas do saber, e seus termos circulam até mesmo em conversas coloquiais. Freud inaugurou uma nova área do conhecimento, uma nova forma de ver e pensar o mundo: as neuroses, a infância, a sexualidade, os relacionamento humanos, a subjetividade, a sociedade etc.

A psicanálise, na verdade não é uma escola da psicologia, é uma área do conhecimento independente, que surgiu como uma forma alternativa de dar conta do sofrimento psíquico e de entender o funcionamento mental como um todo. Suas noções e hipóteses teóricas são forjadas e articuladas de maneira a constituir modelos para a compreensão de fenômenos psíquicos que povoam a clínica e a vida cotidiana. A psicanálise tem seu próprio princípio organizador, sua própria episteme. Entender sua criação e desenvolvimento envolvem questões epistemológicas, relações com outras áreas do conhecimento e sua contextualização através da história.

Freud teve sensibilidade e receptividade para escutar o discurso do histérico e aprender o que este tinha a lhe ensinar. Foi escutando o histérico que Freud criou a psicanálise, sua teoria, sua prática, seu método terapêutico e sua ética. Ele teve o despojamento de reconhecer a ignorância e a impotência diante de um sem número de situações, diante do sofrimento e lançou-se a busca de novos instrumentos, novos conceitos, novas técnicas.

O ambiente cultural da Áustria, o contexto iluminista pós-Revolução Industrial e a Revolução Francesa, aliada aos conhecimentos psiquiátricos, neurofisiológicos, literários, sociológicos, antropológicos e artísticos, contribuíram para que Freud identificasse fenômenos mentais que iam além dos perceptíveis pela consciência (Colich, 2005).

Freud procurou construir uma ciência explanatória que pudesse provar seus achados, encontrando seus fatores e agentes causais, organizados em forma de leis e princípios gerais. Olhava o cérebro e a mente como fenomenologicamente idênticos e estava preocupado com o modelo neurofisiológico, a hidrostase, a termodinâmica e o conceito darwiniano de evolução da mente. Isso influenciou de forma decisiva o modelo de inconsciente construído por Freud, estabelecendo a centralidade dos conceitos de pulsão (formulação teórica para tentar expressar a transformação de estímulos em elementos psíquicos) e recalque. Decorre daí formulações sobre “investimento”, “representação”, “resistência”, “defesas”, fases do desenvolvimento da libido”, “a teoria inicial sobre ansiedade”, a “transferência” como revivência de uma memória passada, e a “realidade psíquica”.

O modelo psicanalítico da mente considera que a atividade mental é baseada no papel central do inconsciente dinâmico. O contato com a teoria da psicanálise põe em evidência uma multiplicidade de abordagens, com diferentes níveis de abstração, conceituações e linguagens complexas, que devem ser entendidas um em um contexto histórico cultural e em relação às próprias características do modelo psicanalítico da mente.
Após Freud, seus seguidores em muito ampliaram a compreensão do psiquismo humano; são nomes de grande influência: Melanie Klein, Donald Winnicott, Donald Meltzer, Wilfred Bion, entre muitos outros.

É isso aí pessoal, pra quem era leigo agora acho que já não é mais, já contamos um pouco de Freud e aqui, de uma forma resumida, a história da Psicanálise.

Em nosso próximo post, vou apresentar a vocês a FEBRAPSI – Federação Brasileira de Psicanálise, o que a federação faz? Como funciona? Só no próximo post!

Não deixe de conferir!

Fonte: Dicionário de Psicanálise de autoria de Elisabeth Roudinesco e Michel Plon. Jorge Zahar Editor. 1998.

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