terça-feira, 21 de janeiro de 2014

HUMOR, VERDADE E PSICANÁLISE


Estamos, neste janeiro de 2014, plenamente envolvidos com a organização desta que será a III BIENAL DE PSICANÁLISE E CULTURA DA SBPRP. Sendo a terceira já tem ares de cumprir certa tradição que muito nos honra. Esta edição será nos dias 15, 16 e 17 de maio próximo, no auditório da Faculdade de Direito da USP, onde todas as atividades terão lugar – da abertura, quinta-feira, à noite, ao encerramento no sábado, à tarde. Voltamo-nos, nesta ocasião em especial, para um intercâmbio com outras áreas da ciência e da cultura; intercâmbio este que nos enriquece e no qual a psicanálise também deixa sua contribuição. O programa, com os temas e apresentação dos nossos convidados, pode ser acompanhado em abundante material que já está sendo divulgado em nosso site, blog, facebook e mailing que encaminharemos regularmente. Em fevereiro, divulgaremos também em material gráfico e já serão abertas as inscrições pelo site próprio da Bienal.

Humor, verdade e psicanálise – será nosso tema desta vez. A verdade no centro, como elemento essencial tanto de um, como de outro. Ambos, humor e psicanálise, desenrolando o fio contínuo e inacabado da verdade, como está representado em nosso logotipo pelos dois personagens que nos remetem também aos acrobatas das fitas, na arte circense.

A verdade é alimento para a alma. Bion diz, no Aprendendo com a Experiência (1962), que “... a verdade parece ser essencial para a saúde psíquica. O efeito que esta privação (da verdade) pode ter na personalidade é análogo ao efeito que a inanição pode ter sobre o físico.” Deste vértice, os dois personagens também representam, de forma sobreposta, o par da cena analítica buscando os contatos possíveis com essa verdade essencial.

Por outro lado, o humor tem sido, ao longo da história, uma vertente da arte ou, simplesmente, uma atitude, que possibilita um contato com a verdade onde, desarmado do riso, o homem sucumbiria ao medo. O humor faz rir das grandes angústias, denuncia verdades proibidas, desafia a dor e os riscos. Quando Freud foi entrevistado pela Gestapo, antes de ser autorizado a deixar a Áustria, em maio de 1938, conta-nos Daniel Kupermann fato já relatado pelos biógrafos de Freud, que “(...) as autoridades exigiram que Freud assinasse um documento declarando não ter sofrido maus-tratos. Freud concordou, mas acrescentou de próprio punho: ‘posso recomendar altamente a Gestapo a todos’.”

Freud, que dedicou dois artigos ao tema, escreve, em 1927, que “o humor não é resignado” e pergunta: “Em que consiste, pois, a atitude humorística que nos permite rechaçar o sofrimento, afirmar a insuperabilidade do ego pelo mundo real, sustentar triunfalmente o princípio do prazer, e tudo isso sem abandonar, como ocorre em outros processos com idênticos desígnios, o terreno da saúde psíquica, ainda que este preço parecesse inevitável?”

Convidamos todos a participarem conosco deste Evento e acompanharem, desde já, o material, no formato de pequenos estímulos sobre o tema geral, as palestras e nossos convidados, com o intuito de nos aquecermos para o encontro em maio.

Lia Falsarella
Coordenadora Geral



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