quinta-feira, 23 de maio de 2013


“Os vínculos sociais na infância e na adolescência”

Por Cristiane Sampaio
Mtb. 61.431



Olá,

Hoje vamos publicar a primeira entrevista da série que preparamos sobre o evento A criança, o adolescente e o Psicanalista”. O tema será “Os vínculos sociais na infância e na adolescência” e nossa convidada é a Analista Didata Dra. Sonia Maria Mendes Eleutério Mestriner, que já é conhecida de nosso público por participar de bate-papos anteriores. Ela também é membro associado da SBPSP, membro efetivo e Diretora do Instituto da nossa SBPRP.   Além de ser uma das palestrantes deste grande evento que vai se realizar nos dias 06 e 07 de Junho, na UNISEB, em Ribeirão Preto.

Acompanhem a nossa entrevista!

SBPRP: Como são estabelecidos os vínculos na infância e na adolescência?

Dra. Sonia: Desde o seu nascimento a criança vai desenvolvendo a sua qualidade de ser um ser social em polaridade dinâmica com o seu narcisismo. Ela está inserida em um grupo social, que inicialmente é constituído pela mãe, pai e familiares mais próximos e, no decorrer de seu desenvolvimento, vai ampliando essas relações para o social mais vasto, como a escola, amigos, outras famílias e outros grupos sociais.
 
A primeira relação da criança se dá com a mãe, que é a cuidadora, tanto no sentido físico como no psíquico. Essa relação é de extrema importância para o seu desenvolvimento físico, emocional e social. A mãe, em sua relação com o seu bebê, tem uma função essencial, que é a de ser continente, isto é, a de receber, elaborar, moderar, nomear e devolver, em tempo adequado, as emoções de seu bebê de forma atenuada, e que assim passam a ser manejáveis pela mente do bebê e estimuladoras de crescimento mental, do desenvolvimento da capacidade de pensar e dos processos de individuação. Se nessa relação predominam as experiências de não ser suficientemente contida, a criança pode desenvolver dificuldades nos processos de pensar e dificuldades mentais e sociais variadas. Esse modelo de relações pode ser estendido a outras relações como analista e analisando, professor e aluno e outras relações sociais.

Os vínculos de amor, ódio e conhecimento, e seus negativos, permeiam as relações humanas em várias proporções, propiciando relações mais benignas, nas quais predominam as trocas que favorecem o crescimento, ou mais perturbadas, onde predomina a destrutividade.

É de estrema importância que as funções de ser continente sejam construídas nas relações analíticas, escolares e sociais”.

SBPRP: A partir do momento em que o adolescente começa a construir uma identidade e passa a criar vínculos fora do ambiente familiar, começam as preocupações dos pais. Esta é a fase crucial para o desenvolvimento deste adolescente?

Dra. Sonia: “O termo “adolescer” (verbo intransitivo) vem de o latino adolescere, cujo sentido é: entrar na adolescência, desenvolver-se, crescer. O termo “adolescência” (substantivo feminino) tem origem no latino adolescentia e é o período que ocorre no decorrer do desenvolvimento do indivíduo, entre a infância e a idade adulta. Neste período o indivíduo passa por intensas transformações biológicas, psicológicas e sociais, o que o caracteriza por desequilíbrios, incertezas, dúvidas e contradições, adquire a maturidade genital e se determina como pessoa. Considero também os “funcionamentos adolescentes”, com características próprias como: turbulência psicossocial, perdas de referências anteriores inclusive as do próprio corpo e poucos planos, que podem ser vivenciados em qualquer idade, ou perdurar na vida do indivíduo decorrente das não resoluções satisfatórias de seus conflitos. O funcionamento adulto não significa eliminar ou atuar o infantil e o adolescente, mas transformá-lo e integrá-lo na sua personalidade.

Vários fatores contribuem para a expressão das configurações psíquicas da adolescência, como: as experiências mais ou menos traumáticas, a história de vida e as características de personalidade. As condições de se atingir uma maturidade psicossocial satisfatória dependem das condições vividas na infância. Uma infância turbulenta contribui para que a adolescência seja turbulenta, assim como o excesso de repressão e exigências. Por outro lado, adolescentes com as questões da infância mais elaboradas, que pode ir desenvolvendo os processos de pensamento e introjetando a função de ser continente de suas emoções, tendem a lidar com os conflitos da adolescência com mais eficácia. Também, um adolescente naturalmente tranquilo em uma família equilibrada desenvolver-se-á mais favoravelmente que um atormentado em uma família desequilibrada, e podemos considerar as nuanças entre esses dois extremos”.

E aí, se interessou pelo tema? Então, clique AQUI e garanta a sua inscrição para o evento, será imperdível.

As vagas são limitadas!




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