segunda-feira, 14 de outubro de 2013


Por Silvana Andrade

Nascida na Ucrânia, Clarice chegou ao Brasil com menos de dois anos de idade. Considerando-se brasileira, lutou bravamente pela sua cidadania brasileira. Escreveu ao presidente Getúlio Vargas solicitando sua naturalização valendo-se do argumento:
“Uma russa de 21 anos de idade e que está no Brasil há 21 anos menos alguns meses. Que não conhece uma só palavra de russo, mas que pensa, fala, escreve e age em português, fazendo disso sua profissão e nisso pousando todos os projetos do seu futuro, próximo ou longínquo.”
Para conferir o texto role a barra lateral até o final da matéria.
Clarice não voltou à Rússia, mas viveu, irremediavelmente, a sensação de sentir-se "estrangeira” nos vários lugares em que viveu ao longo de sua vida.

O conceito de "estrangeiro" em psicanálise coincide com o retorno do recalcado, mas também se confunde com o outro, aquele que me é estranho, que eu não quero ser, que eu sinto que não é eu, mas, não obstante, habita em mim.

Clarice sabia muito bem o que isso significava, seus escritos demonstram que convivia com este estrangeiro ativo dentro de si cotidianamente.

Através da personagem G.H., por exemplo, Clarice nos conduz ao amago de uma crise de referência, típica do ser humano e bastante evidente na pós-modernidade.

"Estou procurando, estou procurando. estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi, mas não sei quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo desta desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro." ( A Paixão Segundo G.H., Editora Rocco, pag.4)

Nesta condição o ser humano já não sabe mais qual o seu lugar no mundo, ou o que pensar das suas experiências e como ajusta-las em um todo coerente e satisfatório, sua tendência é de compartilhar com o outro, família, amigos, etc. a noção e a imagem de tudo aquilo que não se é, uma vez que é mais fácil excluir e projetar no outro as próprias angústias.

Em seu percurso rumo ao conhecimento do estrangeiro, Clarice mergulha fundo nestas questões e não se propõe a assimilar e nem mesmo a negar as angústias advindas desta condição, pelo contrário, sustenta suas indagações na busca de abrir um espaço para admitir e tolerar este inquietante estranhamento presente em todos nós. Sua percepção e sua busca estão em sintonia com o olhar e o trabalho psicanalítico, que se propõe a ajudar o ser humano a sustentar esta exploração, a fim de que possamos admitir e tolerar o sentimento de ser estrangeiro, convivendo com os diferentes aspectos de sua personalidade. 

Dada à complexidade da condição humana e da sociedade pós-contemporânea em que vivemos, a interlocução entre psicanálise e literatura demonstra ser uma excelente possibilidade de ampliarmos e afinarmos nossos instrumentos psicanalíticos e abrirmos espaços para acolher o estrangeiro dentro de nós,  com seus aspectos híbrido e plural, permitindo a abertura para muitas singularidades e novas possibilidades. 

Gostou do post de hoje? A vida de Clarice também será abordada durante o evento de Psicanálise & Literatura – Clarice Lispector: Inquietações do inacessível realizado pela SBPRP no próximo dia 19 de outubro.

Se você se interessou pela temática, clique AQUI e garanta a sua inscrição. As vagas são limitadas.

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Carta de Clarice Lispector à Getúlio Vargas.

Rio de Janeiro, 3 de junho de 1942

Senhor Presidente Getúlio Vargas:

Quem lhe escreve é uma jornalista, ex-redatora da Agência Nacional (Departamento de Imprensa e Propaganda), atualmente n'A Noite, acadêmica da Faculdade Nacional de Direito e, casualmente, russa também.

Uma russa de 21 anos de idade e que está no Brasil há 21 anos menos alguns meses. Que não conhece uma só palavra de russo, mas que pensa, fala, escreve e age em português, fazendo disso sua profissão e nisso pousando todos os projetos do seu futuro, próximo ou longínquo. Que não tem pai nem mãe - o primeiro, assim como as irmãs da signatária, brasileiro naturalizado - e que por isso não se sente de modo algum presa ao país de onde veio, nem sequer por ouvir relatos sobre ele Que deseja casar-se com brasileiro e ter filhos brasileiros. Que, se fosse obrigada a voltar à Rússia, lá se sentiria irremediavelmente estrangeira, sem amigos, sem profissão, sem esperanças.

Senhor presidente. Não pretendo afirmar que tenho prestado grandes serviços à Nação - requisito que poderia alegar para ter direito de pedir a V. Ex.ª. a dispensa de um ano de prazo, necessário a minha naturalização. Sou jovem e, salvo em ato de heroísmo, não poderia ter servido ao Brasil senão fragilmente. Demonstrei minha ligação com esta terra e meu desejo de servi-la, cooperando com o DIP, por meio de reportagens e artigos, distribuídos aos jornais do rio e dos estados, na divulgação e na propaganda do governo de V. Exª. E, de um modo geral, trabalhando na imprensa diária, o grande elemento de aproximação entre governo e povo.

Como jornalista, tomei parte em comemorações das grandes datas nacionais, participei da inauguração de inúmeras obras iniciadas por V. Exª., e estive mesmo ao lado de V. Exª mais de uma vez, sendo que a última em 1º de maio de 1941, Dia do Trabalho.
Se trago a V. Exª. o resumo dos meus trabalhos jornalísticos não é para pedir-lhe, como recompensa, o direito de ser brasileira. Prestei esses serviços espontânea e naturalmente, e nem poderia deixar de executá-los. Se neles falo é para atestar que já sou brasileira.

Posso apresentar provas materiais de tudo o que afirmo. Infelizmente, o que não posso provar 
materialmente - e que, no entanto, é o que mais importa - é que tudo que fiz tinha como núcleo minha real união com o país e que não possuo, nem elegeria, outra pátria senão o Brasil.
Senhor presidente. Tomo a liberdade de solicitar a V. Exª. a dispensa do prazo de um ano, que se deve seguir ao processo que atualmente transita pelo Ministério da Justiça, com todos os requisitos satisfeitos. Poderei trabalhar, formar-me, fazer os indispensáveis projetos para o futuro, com segurança e estabilidade. A assinatura de V. Exª. tornará de direito uma situação de fato. Creia-me, Senhor Presidente, ela alargará minha vida. E um dia saberei provar que não a usei inutilmente.                            
                                                                              
Clarice Lispector



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ciclo Lars Von Trier apresenta o filme “Anticristo”
 Por Cristiane Sampaio
Mtb. 61.431


Hoje, vamos divulgar aqui no blog mais um projeto exclusivo de Cinema & Psicanálise, o “Ciclo Lars Von Trier”. Uma série que tratará de filmes que, de certa forma, são autobiográficos do consagrado cineasta dinamarquês e que versam sobre as profundezas da dor na alma humana. A primeira sessão acontecerá em 26 de outubro às 14h30min no IFF – Instituto Figueiredo Ferraz e apresentará Anticristo
 
A película conta a história de um casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) que vive devastado com morte do único filho e muda-se para uma casa isolada no meio da floresta, visando superar a dor da perda do filho. Entretanto, os questionamentos do marido, psicólogo, sobre a dor do luto e o desespero de sua esposa desencadeiam uma espiral de acontecimentos misteriosos e assustadores. E as consequências de um uma presunçosa investigação psicológica são as piores possíveis.

Mais uma sessão instigante que vai nos proporcionar uma bela discussão ao final do filme. Os comentários serão realizados pelo psicanalista, membro efetivo e analista didata da SBPRP, Dr. Miguel Marques. Um evento imperdível!

Atenção! As inscrições são limitadas e somente serão realizadas pessoalmente ou pelo telefone 3623-7585 até dia 24/10 ou enquanto sobrarem vagas. Falar com Felipe, no horário de 2ª a 6ª, das 8h às 13h e 14h30min às 17h45min.

Contamos com a sua participação. Garanta o seu lugar!
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

“Explosão”

Clarice Lispector foi escritora, repórter, jornalista, entrevistadora e pintora. Ela pintou vários quadros em madeira, respeitando as nervuras da matéria, mas mantendo sempre a liberdade de criar. Destaquei de seu conjunto de obras o quadro “Explosão”, de 1975, com a intenção de ilustrar a intertextualidade existente entre seus contos, romances e pinturas.

Nesse quadro - “Explosão” - Clarice jogou um vidro de esmalte vermelho berrante sobre a madeira. Três manchas vermelhas são o núcleo das rebentações e desses núcleos nascem rápidas pinceladas em preto e amarelo.

Segundo Olga Borelli (1981) Clarice descreveu esse quadro da seguinte maneira: “Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro. Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez. Que não me entendam pouco-se-me-dá. Nada tenho a perder. Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei. Mas aqui vai meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado. Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito.”

Ao mergulhar na extensa obra de Clarice Lispector fui realizando ligações entre um texto e outro, percebendo que a intertextualidade realizada pela autora, com as suas próprias obras, foi se tornando instigante e integradora para mim. 

No conto “Amor”, que está no livro Laços de Família (1960), Clarice nos insere na experiência emocional de ruptura (explosão) entre o conhecido e o desconhecido do psiquismo da personagem. É o instante de ruptura de defesas, ruptura do distanciamento de si mesma que faz desabrochar, subitamente, o seu núcleo de existência. Ana - personagem desse conto - experimenta com toda intensidade novos conhecimentos sobre si mesma. Experimenta a explosão de sensações, de sentimentos, de vida interior. Seu mundo “falsamente organizado” é desconstruído; ela experimenta o doce gosto de sua existência.

Clarice nos diz no conto “Amor”:     
“Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse.  ...- tudo feito de modo a que um dia se  seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso.  ... Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver”.

Geralmente a crítica literária denomina esses momentos, essas explosões, de “epifania” – significando uma súbita revelação da verdade. 


Clarice, em sua obra, trazendo essas situações de Explosão, deixa-nos com a impressão de que seus personagens estão submersos em estados de mente que conseguem manter suas vidas estruturadas, porém superficiais, dominados pela mesmice. Mesmice que significa morte. Clarice quer vida, quer vida interior, quer profundidade, quer verdade, porque assim seus personagens (e ela mesma - acredito eu) se agarram desesperadamente ao seu sentimento de existência. Existência verdadeira, existência que guarda em si uma identidade própria. É o encontro com uma verdade buscada sobre si mesma que lhe parecia inatingível. Agarrar-se aos instantes de explosão de sensações e seu desenrolar tem como significado a experiência profunda de estar viva. É assim em “Paixão segundo G.H”. (1964), é assim em “A Hora da Estrela” (1977). 

Clarice, em “A Hora da Estrela” (1977), insere a palavra “explosão” inúmeras vezes, criando a impressão de que utilizava essa palavra  entre parêntesis como um recurso para não ter que descrever esses instantes através de imagens ou palavras. A palavra “explosão” já continha em si mesma os significados expostos em seus outros romances e contos.

Em seu livro “Paixão segundo G.H.”, sua personagem após experimentar a explosão, é assim “pintada” por Clarice: “Ontem, no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.”

O livro “Água viva” (1973) é marcado pela descrição da autora da sua necessidade de experimentar esses momentos de explosão, que são os intantes-já.  Esses “instantes-já” a arremessam em direção ao seu sentimento de existência, de sua humanidade, de sua matéria-prima, de sua vontade de viver. 

“Cada coisa tem um instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa(...) quero capturar o presente que pela sua própria natureza me é interdito: o presente me foge, a atualidade me escapa, a atualidade sou eu sempre no já. Só no ato do amorpela límpida abstração de estrela do que se sente - capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si: no amor o instante de impessoal joia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio dos instantes – e o que se sente é ao mesmo tempo que imaterial tão objetivo que acontece como fora do corpo, faiscante no alto, alegria, alegria é matéria de tempo e é por excelência o instante. E no instante está o é dele mesmo. Quero captar o meu é. (...) Meu tema é o instante? meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim”.

Clarice buscou, incessantemente, sentir a presença de vida em seu interior.  Principalmente, quando já estava aproximando-se da morte. Ela escreveu, concomitantemente, o romance belíssimo “A hora da Estrela” (1977) e “Sopro de Vida” (1978).

Ela encerra seu romance a “Hora da Estrela” assim:

“Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – mas eu também?!
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.
Sim.”

Clarice escreve para salvar a própria vida.


Denise L. Rosado Antônio
Psicanalista, Membro efetivo da SBPRP

A Psicanalista Denise L. Rosado Antônio será uma das palestrantes durante o evento de Psicanálise & Literatura – Clarice Lispector: Inquietações do inacessível que será realizado pela SBPRP no próximo dia 19 de outubro.

Se você se interessou pela temática, clique AQUI e garanta a sua inscrição. As vagas são limitadas. 


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

“Humor, verdade e psicanálise”
Por Cristiane Sampaio
Mtb 61.431

 
Se preparem! Estamos a apenas seis meses do evento de psicanálise mais esperado do interior de São Paulo. Nos dias 15, 16 e 17 de Maio de 2014 a cidade de Ribeirão Preto será sede da III Bienal de Psicanálise e Cultura. Com realização da SBPRP, nesta terceira edição o evento traz como tema “Humor, verdade e psicanálise”.

Um programa diferenciado e muito rico está sendo preparado para adentrarmos nesta estimulante temática. Assim como nas duas primeiras edições, esta reunirá profissionais de diferentes áreas de conhecimento. Psicanalistas, jornalistas, escritores, dramaturgos, entre tantos outros. Atividades bem humoradas, artísticas, cursos, conferencias e mesas redondas estão na programação. Imperdível!

Reserve a data e se ligue em nossos posts. Em breve, abriremos inscrições e traremos aqui entrevistas com os palestrantes e convidados.

Até! 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Clarice Lispector: Inquietações do inacessível

Por Cristiane Sampaio
Mtb. 61.431

No próximo dia 19 de Outubro, a SBPRP – Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto realizará mais um grande encontro psicanalítico: Literatura & Psicanálise – Clarice Lispector “Inquietações do inacessível”. O evento acontecerá na Universidade Barão de Mauá a partir das 8h30min. Clique aqui e garanta sua inscrição. As vagas são limitadas.

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Clarice foi uma escritora e jornalista brasileira nascida na Ucrânia. Vinda de uma família judaica, que se refugiou no Brasil após fugir da perseguição aos judeus na Guerra Civil Russa. Ela começou a escrever ainda criança, seus romances logo chamaram a atenção e levantaram vários questionamentos do público e crítica. Clarice foi reconhecida e o sucesso de seus livros lhe garantiram vários prêmios literários pelo mundo.  Para os fãs da psicanálise e a quem se interessa por esta área, a leitura de sua obra permite não só várias reflexões e questionamentos, mas um reencontro da força criadora original da experiência psicanalítica.

“Por que o recurso à literatura, para falar do feminino, ou por que a obra de Clarice Lispector interessaria à psicanálise? Muitas são as respostas. Seguiu-se aí uma orientação de Lacan, encontrada num texto em homenagem a Merleau-Ponty. A arte, segundo Lacan, nos dá a ver o que, de outro modo, não se veria, mantendo o que há de inapreensível no objeto. Saímos assim da metáfora do psicanalista como decifrador da arte, para pensar a arte como aquilo que coloca questões ao psicanalista, arte decifradora ou causadora do analista/sujeito. A arte nos ensina modos de subjetivação em jogo na clínica. Assim, interessou menos a caracterização de uma escrita como feminina do que a maneira como a escrita de Clarice Lispector permite pensar certos modos femininos de subjetivação.
 
A escrita de Clarice, assinalando um além da palavra, um impossível a dizer, seria passível de nos ensinar sobre o feminino, entendido como aquilo que, da mulher, não se recobre pelo falo. Quais seriam as manifestações dessa parte da mulher? Graças a uma dicção particular, à estética do sopro, através da qual Clarice busca falar de um impossível além da linguagem, sua escrita pode nos fornecer elementos para pensar o feminino em sua relação com a criação, com o real e com o gozo”.  (MARCOS C. Do que se pode ler em Clarice Lispector: sublimação e feminino, 2007).

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...", Clarice Lispector.

Quer saber mais sobre o evento? Clique AQUI!

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