terça-feira, 3 de setembro de 2013


O Espaço Cultural o convida para uma proposta de interlocução entre Literatura↔Psicanálise. A Comissão Cultural tomou por missão manter este espaço como um ponto de encontro, um espaço para mobilizar a reflexão de questões culturais e psicanalíticas atuais, onde possamos nos reunir para compartilhar conhecimentos e estimular reflexões, sempre em busca de novos vértices. Sendo assim, organizamos um primeiro encontro sobre Psicanálise e Literatura da SBPRP.

A Psicanálise nasceu na fronteira entre a medicina e a literatura. Ana O., uma das ‘personagens’ mais famosas da história da Psicanálise - apesar de não ser personagem de nenhum romance -  colaborou para que Freud percebesse a importância da narrativa no trabalho clínico do psicanalista. Como grande leitor, Freud encontrou nos textos de Shakespeare, Goethe, Schiller, Schnitzler, Jensen, Ibsen, inclusive os de Ágatha Christie, entre outros, uma importante fonte que o nutriu para suas descobertas a respeito do funcionamento psíquico humano. Como exímio escritor, Freud narrou as histórias de seus pacientes, bem como suas teorias, de tal forma que muitos de seus textos podem ser lidos como se fossem um romance. Não foi por acaso que a única honraria importante que Freud recebeu em vida, já aos 74 anos, foi o Prêmio Goethe, láurea dedicada aos grandes escritores. Segundo Peter Gay, um de seus maiores biógrafos, nesta altura da vida ele já havia desistido de esperar o prêmio que tanto almejou (e mereceu): o Nobel de Medicina.

O interesse de Freud pelas narrativas consolidou os laços frutíferos entre a Psicanálise e a Literatura. Em “A Interpretação dos Sonhos” Freud (1900) refere-se aos sonhos como “relatos imaginários”, pouco depois, em 1907, Freud fala da importância do devaneio na criação artística; em 1908 publica “Escritores Criativos e Devaneio”, onde se pergunta: De que fontes esse estranho ser, o escritor criativo, retira seu material?

Escritores, artistas e psicanalistas tem um patrimônio em comum: a função onírica, fundamental e vital para qualquer trabalho criativo, denominador comum dos sonhos, devaneios, jogos e brincadeiras infantis, da criatividade artística e científica. Escritores e psicanalistas captam e registram os sentimentos humanos e as diversas formas pelas quais nos relacionamos, colaborando para que possamos dar significado ao inominado, gerando uma rede simbólica que nos possibilita expansão emocional para além de limites pré-determinados (Guedes Cruz, 2007).

Neste encontro, intitulado “CLARICE LISPECTOR: INQUIETAÇÕES DO INACESSÍVEL”, teremos a oportunidade de mergulhar na particularidade do pensamento|sentimento desta gigante escritora da literatura brasileira. Faremos esta viagem acompanhados pela sua biografa Nádia Battella Gotlib, profunda conhecedora de sua vida e obra, bem como pelas nossas colegas Denise Antônio e Letícia Wierman, amantes da obra da Clarice. 

As discussões terão como base o conto AMOR, escrito em 1952, um marco na sua obra. Este conto, breve e condensado, é também complexo e poderoso. Como todo conto, trata categoricamente do momento presente, problematiza uma questão pessoal, jogando pontos luminosos no escuro, o que o torna envolvente e intrigante. Clarice nos conduzirá com maestria a um mergulho na complexidade do inusitado movimento gerador das transformações humanas. Nele, oscilamos entre a fragmentação e a completude, e mesmo quando tudo parece estático e sem movimento, vislumbramos um modelo para as inquietações inerentes ao eterno inacessível, o qual nos intriga e instiga nas buscas rumo ao vir a ser.

Silvana Andrade e Paulo Moraes Ribeiro
coordenadores do evento


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Um grande evento para você que é fã de Psicanálise e Literatura.

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