quinta-feira, 29 de setembro de 2016


Venha participar de mais um Terças na Sociedade no dia 04/10.

Local: Rua Ércole Verri, 230 - Jd. Ana Maria - Ribeirão Preto.
Telefone: (16) 3623-7585
Inscrições gratuitas pelo e-mail sbprp.tercas@gmail.com (Vagas Limitadas).



Envelhecer...
                                                                            M. Lucimar F. Paiva Defino

                                              ...“O corpo, na velhice, é o lugar privilegiado de desilusão narcísica, prometido à decadência; é palco do adoecer, empurrando o sujeito para o desafio de manter a aposta na vida”. (Rosa, 2014)
                                                ... (o bicho que somos) “que decide que é chegado o momento de começarmos a desligar-nos os sentidos e decide como e quando devemos padecer de que tipo de dor ou loucura”. (Mãe,V. H. 2016)   

                             
A iminência de tornar-se alguma coisa que ainda não somos, ou que ainda não nos damos conta de que estamos sendo, tem um lado impactante, e, não raro, assustador. As transformações, mesmo as mais desejáveis e que nos trazem um ganho estético, ainda assim trazem seus momentos difíceis, pelo ser “estranho” que se apresenta. Os sentimentos angustiosos daí derivados podem se aconchegar em espaços mentais de obstruções ou refúgios, e podem ser vividos como possibilidades confortáveis, destituídos de sua função e de seu nome próprio, que é negado. 
O envelhecer, longe do glamour das transformações esperadas, desejáveis, não fica isento da negação das alternativas ao vazio que se instaura a partir das perdas crescentes (amores, capacidades, importância para outros), características da experiência do envelhecimento. Essa situação incita ao retraimento dos investimentos, ao aparente egoísmo e desinteresse em relação ao que não se refere às memórias, desejos e necessidades imediatas da pessoa que envelhece.
De outro modo, resultante de processos igualmente denegativos, há a possibilidade de permanência de um estado que alguns denominam de “envelhescência”, considerado um período entre a idade adulta e a velhice, equivalente ao da adolescência como período interposto entre a infância e a idade adulta. A tentativa, no nosso mundo contemporâneo, de amenizar os encargos da velhice, as perdas e sofrimentos de toda ordem, confirma a necessidade de “ignorar a morte como parte integrante da vida”, como sentia Freud, em suas “Reflexões para os tempos de guerra e morte” (1915). A grande ênfase na preservação da juventude física conspira ainda mais em favor de processos que exercem a função de um trabalho não estruturante do negativo, como destacam alguns (Rosa, 2014).
Nesse encontro, pretendo conversar sobre possibilidades para o envelhecimento que se situam entre a permanência de um estado de recolhimento e desinvestimento objetal, e a negação do “estranho” que nos surpreende. 

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