segunda-feira, 20 de junho de 2011

Por Dayane Malta
MTB - 61585/SP


Bom dia pessoal!

Após semanas apresentando a vocês um pouco da programação científica e social do XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise, a partir de hoje iniciaremos uma nova série de depoimentos que abordará outro tema do Congresso, o Cinema e Psicanálise.

Nós conversamos com alguns psicanalistas, que expressaram suas opiniões sobre o assunto. Para começar, trouxemos o depoimento do Dr. Roberto Santoro Almeida, membro da SPRJ (Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro). Vejam o que ele disse:

“No final do século XIX, enquanto Freud edificava as bases da psicanálise, os irmãos Lumière exibiam a um público encantando imagens em movimento projetadas numa tela, fundando o aspecto ritualístico do Cinema. No entanto, os interesses dos irmãos Lumière eram apenas científicos. O cinema como Arte surgiu com o gênio Georges Meliès. Este ex-mágico descobriu que se parasse de rodar uma manivela da câmera, retomando o movimento em seguida, poderia fazer objetos desaparecerem. Partindo deste efeito simples, realizou filmes que assumem a semelhança com os sonhos, na mesma época em que Freud desvendava a linguagem onírica”.

Segundo Almeida, ao longo dos anos, a Psicanálise e o Cinema se desenvolveram em paralelo. Diversos cineastas expandiram a linguagem de sua arte com recursos que apresentam fortes analogias com o trabalho do sonho. “Em 1926, o cineasta G.W.Past, supervisionado por Karl Abraham, realizou o primeiro filme psicanalítico, ‘Segredos de uma Alma’, que não obteve sucesso, confirmando descrença de Freud no projeto”, afirma.

 (Georg W.Pabst)

Freud tinha esta restrição por acreditar que o processo psicanalítico não se prestava a uma transposição para a linguagem cinematográfica, uma vez que qualquer tentativa de fabricar artificialmente a representação de processos psicológicos inconscientes estava fadada ao fracasso. Boa parte do chamado cinema de arte pós-Segunda Guerra Mundial sucumbiu a este vício, criando filmes pretensiosos, herméticos e idiossincráticos.

Para Almeida, atualmente, o cinema vive um aparente paradoxo, na direção oposta ao problema anterior. Com o avanço dos recursos tecnológicos, não há mais limites para representação visual. No entanto, a arte cinematográfica se encontra numa faze de empobrecimento imaginativo, refletido em filmes repletos de efeitos especiais, mas vazios de conteúdo. Pode-se encontrar um paralelo disto na clínica psicanalítica contemporânea, nos pacientes com escassos recursos de simbolização que buscam em experiências sensoriais cada vez mais intensas (por exemplo, drogas, sexo promíscuo, etc.), o sentimento vital que lhes falta como conseqüência da pobreza de seu mundo interno.

“Algumas exceções recentes permitem manter a esperança na permanência de um cinema vivo, criativo, e fiel ao gênio de Meliès. Como interlocutora privilegiada das manifestações do espírito humano, a Psicanálise por certo manterá um profícuo dialogo com esta forma de arte, para enriquecimento geral de ambos os campos,” diz.

Gostou e quer saber mais? Sinta-se convidado a participar de nosso Congresso! E em nosso próximo post, mais um comentário sobre o tema Cinema e Psicanálise, que será abordado em nosso Congresso.

DICA:
Visite também o site Cinema & Psicanálise, o grupo se realiza mensalmente apresentações de filmes, que em seguida são comentados por psicanalistas membros da SBPRP. É um encontro descontraído e super interessante para os amantes da Sétima Arte. Participe!

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