quinta-feira, 23 de junho de 2011

Por Dayane Malta
MTB - 61585/SP


Bom dia amigos!

Hoje encerraremos nossa série de depoimentos sobre o tema Cinema e Psicanálise, que terá um espaço privilegiado no XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise. Mas não fiquem decepcionados, pois na próxima semana teremos novidades em nosso Blog.

E para fechar com ‘chave de ouro’, vamos publicar o depoimento do Dr. Sergio Cyrino da Costa, membro da SPPA (Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre). Vejam o que ele falou sobre o tema!

Freud, ao que tudo indica, não era cinéfilo. Talvez não tenha tido tempo nem oportunidade de desfrutar dos efeitos envolventes da sétima arte, porque vivia predominantemente entre suas leituras e sua exaustiva correspondência.

“Não sabemos como reagiria o mestre ao impacto visual de obras como “A Origem”, o muito citado “Matrix”, o milionário “Avatar”, além de clássicos como “Spellbound”. O teatro possui um apelo à imaginação que reside principalmente no texto falado, com que o esforço de atores, direção, cenógrafos e iluminadores tentarão fazer o espectador interagir com a cena, às vezes até participar física e ativamente dela e, sobretudo, defrontar-se com o inesperado daquela “sessão psicanalítica” de corpo presente”, diz Cyrino.

   (Cena do filme Matrix)

Para o psicanalista, como diria Bion, mesmo que o conteúdo seja exatamente os mesmo todos os dias, aquele momento é novo e único, com os objetos psicanalíticos quase fisicamente ao alcance do tato. De maneira semelhante, no cinema o espectador tem uma sucessão de quadros alucinatórios que desenrola diante de seus olhos. “Ele é colocado na posição de sonhante, passivo e impotentemente dominado pelo mundo imaginário, que só se encerra no momento do despertar, do acender das luzes, do abrir dos olhos”, afirma.

Segundo Cyrino, o teatro precisa estimular a imaginação da platéia, o livro nos convida a criar nossas figuras humanas e paisagens a partir do registro de nossas fixações e, ainda, o quadro de uma pintura tem a emoção do apelo pictórico imóvel, a convergência entre a mente do artista e a do admirador, que completa fixamente a obra postada à sua frente num museu, como nos comentou Otto Rank.

“O cinema apresenta a fantasia pronta e em movimento. O sonho é basicamente estruturado numa linguagem visual, que se converte em uma linguagem verbal ao ser lembrando e relatado. Leitura, teatro, pintura, nos convidam a completar com nossa imaginação o que ali está sendo representado. O cinema talvez requeira um tipo especifico de trabalho mental, mais passivo, já que o cenário se apresenta como real, como cidades, pradarias, oceanos, cavernas profundas, ou alucinatórias, como na ficção cientifica. Por outro lado, nossa sensibilidade fica livre para experimentar o medo e a alegria frenética dos fotogramas sucessivos”, diz.

Nos primórdios do cinema, as pessoas fugiam assustadas de um trem em movimento que parecia querer sair da tela; coisa que a tecnologia da terceira dimensão está revivendo.

"Torcemos pelo herói solitário projetado na tela e por nossa projeção idealizada. Regredimos como crianças, pela imitação e identificação, esquecendo, por conta de nossa demanda de prazer, que ali não está o ator, e sim o personagem. Esta confusão entre fantasia e realidade é muito bem descrita no filme “A Rosa Púrpura do Cairo”. Nossos vários egos são visitados a cada ingresso na sala de projeção. O que somos, o que idealizamos, o que ocultamos de nós mesmos e dos outros. Uma ‘sessão de análise’ de algumas horas de duração,” conclui o Dr. Sergio Cyrino.

(Cena do filme “A Rosa Púrpura do Cairo”, 1985)


Gostou e quer saber mais? Sinta-se convidado a participar de nosso Congresso!Na próxima semana, mais novidades sobre o XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise.

DICA:
Visite também o site Cinema & Psicanálise, o grupo se realiza mensalmente apresentações de filmes, que em seguida são comentados por psicanalistas membros da SBPRP. É um encontro descontraído e super interessante para os amantes da Sétima Arte. Participe!

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