sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Foto: Edmund Engelman, 1938(Sigmund Freud´s Collection).

O título do XXIV Congresso Brasileiro de Psicanálise, “Ser contemporâneo: medo e paixão?”, remete necessariamente a uma primeira pergunta.

O que é ser contemporâneo?

A partir dessa primeira questão, tão ampla, é possível pensar em várias possibilidades. No dicionário da língua Portuguesa, contemporâneo significa: 1 Que é do mesmo tempo; que vive na mesma época; coetâneo, coevo. 2 Que é do tempo atual (presente).

A idade contemporânea é o período da história do mundo ocidental, que se inicia a partir da Revolução Francesa (1789) até os dias de hoje. A corrente filosófica vigente foi o iluminismo, que elevava a importância da razão. As ciências nas mais diversas áreas foram se desenvolvendo, descobrindo novas tecnologias. E fortalecendo a crença de uma civilização humana que progredia, evoluía com novos conhecimentos adquiridos. Assim, certamente o futuro seria um lugar melhor. O mundo se apresentaria de um modo previsível, controlável e desenvolvido. O mundo se apresentaria iluminado pelo conhecimento das ciências!

O que vemos ao olharmos ao nosso redor?


Segundo um filósofo italiano, Giorgio Agamben, “contemporâneo é aquele que mantém o olhar fixo em seu tempo, para perceber não as suas luzes, mas sim as suas sombras. Todos os tempos são, para quem experimenta sua contemporaneidade, escuros. Contemporâneo é quem sabe ver essa sombra, quem está em condições de escrever umedecendo a pena nas trevas do presente.”                                                                                                                                                                 

Não se prender a um tempo é poder desenvolver um olhar de movimento entre o passado e o presente, conjecturando o futuro. Poder refletir se atentar para as partes claras, obvias, mas também para as escuras, que não emitem luz, ora passam despercebidas, ora absorvem a luz existente nos levando a experiências de dúvidas e incertezas:

“Perceber no escuro do presente essa luz que procura nos alcançar e não pode fazê-lo, isso significa ser contemporâneo.”

                                                                          Giorgio Agamben

Não construímos um futuro sem transitar, como um pêndulo, pelo presente e passado. A obra “Sleepover”, imagem escolhida para nosso evento, é o retorno do artista plástico Christie Brown ao transitar pelos fragmentos arqueológicos que pertenciam à Freud. O passado fazendo parte da construção e apreensão do presente, fazendo parte do que significa ser contemporâneo.

Marystella Carvalho Esbrogeo
Membro filiado da SBPRP


Fotos: Edmund Engelman, 1938-"Portrait of Sigmund Freud at desk with antiquities"(Sigmund Freud´s Collection); Christie Brow "Sleepoover (Freud Museum)".

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Ninguém vai perder!

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