segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


“Conheça um pouco da história e no que consiste a formação em psicanálise”

Por Cristiane Sampaio
MTB. 61.431


Olá,

Hoje nós preparamos um post especial, histórico e informativo para vocês. Quase que todos os dias nós somos questionados aqui no blog ou até mesmo no facebook sobre pessoas interessadas em se tornar um ou uma Psicanalista. As perguntas giram em torno de o que devem fazer? Como funciona o curso? São quantos anos?, entre outras...

Pensando nisso, resolvemos contar um pouco da história do Instituto de Psicanálise e mostrar, em consiste a formação em Psicanálise. Como são muitas informações, nós dividimos este post em duas partes. Na primeira, vamos entrevistar a atual Diretora do Instituto, a Analista Didata Dra. Sonia Maria Mendes Eleutério Mestriner, que vai abrir a entrevista nos contando um pouco desta história. Acompanhem!

SBPRP: O Instituto já existe há quase dez anos e vem acompanhado de uma grande história de sucesso. Como se deu o início? Conte-nos um pouco dessa história?

Dra. Sonia:O Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto foi criado em 8 de setembro de 1994, quando foram aprovados os estatutos provisórios do Grupo de Estudos de Psicanálise de Ribeirão Preto,  posteriormente reconhecido pela IPA (International Psychoanalitical Association) como Sociedade Provisória e finalmente como uma Sociedade de Psicanálise independente, e do seu Instituto de Formação. O Grupo de Estudos originou-se de um grupo de profissionais,  que estavam em formação pelo Instituto da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e de um psicanalista que havia feito sua formação psicanalítica no Rio de Janeiro, que se reuniam aqui, em Ribeirão Preto, para estudar psicanálise e trocar experiências. Outros foram se vinculando a esse grupo, e foi fundado oficialmente, em 21 de setembro de 1984, o Núcleo de Psicanalistas de Ribeirão Preto, uma sociedade civil, com fins científicos e culturais, sem fins lucrativos.

O instituto iniciou as suas atividades teóricas com a aula inaugural proferida pela Dra. Jacqueline Amati-Mehler, membro da Associazione Italiana di Psicoanalisi e, nessa época, secretária geral da IPA, sobre o tema A Linguagem Exilada: Polilinguismo numa Dimensão Psicanalítica. Para essa aula foram convidados os membros do Grupo de Estudos, as três candidatas selecionadas para compor a primeira turma de alunos do Instituto de Formação e outros membros e candidatos de outras Sociedades. Os trabalhos do Grupo de Estudos foram assessorados e fiscalizados por um Sponsoring Committee nomeado pela IPA, que teve, em grande parte do tempo que atuou aqui, a Dra Jacqueline como Chair, e que exerceu suas atividades desde a formação do Grupo de Estudos até sua transformação em Sociedade Provisória e, finalmente em uma Sociedade independente.

O Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto foi se desenvolvendo tanto em número de profissionais que ingressaram no Instituto, nomeados como membros filiados, como na qualidade de seus trabalhos e aprimoramento de seus membros. Este ano iniciará a formação teórico-clínica da VIII turma de membros filiados.

S: Qual o principal objetivo do Instituto?

Dra. S.: “O Instituto tem por objetivo a formação de pessoas em psicanálise, por meio da análise didática e de um programa teórico e clínico, baseado em Freud, Klein, Bion e outros autores, enfatizando o desenvolvimento de qualidades como liberdade com responsabilidade, pensamento criativo, curiosidade a respeito de si mesmo, competência, ética e consciência de suas individualidades e do outro. Desse modo visa a salvaguardar e promover o desenvolvimento da psicanálise como técnica terapêutica, pesquisa e ciência. A Diretoria do Instituto, com o assessoramento da Comissão de Ensino, repensa constantemente sobre o analista que visa formar comparado ao que formamos.

O Instituto também realiza, supervisiona e administra os trabalhos referentes à formação analítica e a promoção de seus membros, mas também se preocupa com a construção do analista, não só durante o período de formação, mas também com as bases e a manutenção dessa construção. A construção de um analista é um processo contínuo, um vir-a-ser. É sobre esse tema: “A construção do analista”, que a aula inaugural das atividades deste ano letivo, a ser ministrada em 22 de fevereiro pela Sra. Nilde Parada Franch, membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, tratará.




SBPRP: O que caracteriza a Formação em psicanálise reconhecida pela IPA e qual a diferença desta em relação a outros tipos de formação não reconhecidas?

Dra. S.: “A IPA é uma associação internacional, fundada em 1910, que visa agregar, estabelecer padrões, orientar e supervisionar os trabalhos das diversas Sociedades componentes e de seus Institutos de Formação, o que segundo Freud evitaria os abusos decorrentes da divulgação da psicanálise, e também a discrimina de outras práticas. A formação do analista, desde o seu início oficial na Policlínica de Berlim em 1920, baseia-se em três pilares, aprovados pela IPA em julho de 2006: análise pessoal, seminários teóricos e clínicos e supervisões clínicas. Muitos consideram um quarto pilar: a instituição, com suas características decorrentes da sua história específica e rede das relações transferenciais e contratransferenciais entre seus componentes, em constantes transformações. A ênfase dada a cada um desses pilares varia, tanto é que a IPA reconheceu três modelos de formação, e também varia de um Instituto a outro, mesmo que dentro de um mesmo modelo. Essa Instituição internacional com suas subdivisões regionais como a FEPAL (Federação Psicanalítica da América Latina) e a FEBRAPSI (Federação Brasileira de Psicanálise) cria as condições para que haja qualidade e consistência na pesquisa, prática psicanalítica, transmissão e divulgação da psicanálise, um intercâmbio eficiente e debates científicos entre as várias instituições psicanalíticas internacionais e nacionais. Penso que isso diferencia uma Sociedade pertencente à IPA de outras formações analíticas”.

SBPRP: Existe algo que diferencia a formação aqui em Ribeirão Preto, existe uma marca de nosso Instituto que seja diferente, inclusive de outras formações oficiais?

Dra. S.:É evidente que a formação aqui em Ribeirão Preto guarda a especificidade que cada uma das Sociedades de Psicanálise e seus Institutos apresentam, em vista da particularidade de seus membros e de suas relações.

Não diria que algo é próprio apenas da formação em nosso Instituto, mas temos algumas características que, com base em nossa experiência, consideramos importantes na formação de um psicanalista, como o número de sessões de análise (no mínimo de quatro sessões semanais) tanto para a análise do analista em formação quanto para os pacientes supervisionados. Observamos que isso permite uma ampliação da possibilidade do paciente estar em contato consigo mesmo na relação com o analista, em um processo dinâmico de vir a ser aquilo que se é, e da capacidade de pensar. Também mantemos o número de três supervisões oficiais, realizadas ao longo da Formação, sendo que o membro filiado pode realizar a terceira supervisão com um analista didata de outra Sociedade componente da IPA, enquanto observamos que outras Sociedades podem exigir um número menor, como duas. Considerando as especificidades de nosso Instituto, proporcionamos uma formação oficial de modo que o programa estabelecido, sujeito às constantes modificações proporcionadas pela nossa experiência, seja ministrado a cada turma que ingressa ao Instituto. Também buscamos, além da Formação básica planejada, baseada em Freud, Klein e Bion, oferecer várias outras possibilidades de estudo, da obra de autores como Winnicott, Meltzer, Ogden e outros, supervisões, reuniões científicas, grupos de estudo e realização de eventos que enriqueçam, cada vez mais, a nossa Formação, abriguem vários vértices de pensar a psicanálise e proporcionem a oportunidade a cada um que seja único e tolere a diversidade de pensamentos. Estamos iniciando a experiência com cursos eletivos (optativos) dentro da grade curricular, visando contribuir para que cada um se desenvolva com suas especificidades e de manter o vínculo do Membro Filiado ao Instituto até sua qualificação como Membro Associado. Iniciamos a Formação com a análise didática do Membro Filiado, pela importância que atribuímos à análise na Formação analítica como um modo de entrar em contato consigo mesmo, de desenvolver a capacidade de pensar e ir aprendendo o método por meio dessa realização. Também é a oportunidade de pensar sobre a sua escolha.

A Sociedade de Psicanálise de Ribeirão Preto e seu Instituto de Formação têm a vitalidade como uma de suas especificidades, seus membros trabalham incessantemente, com afinco e qualidade, nos diversos níveis e atribuições, visando um crescimento, contínuo, harmônico e a prevalência de relações de grupo de trabalho”.

Bem, por hoje é isso. Mas na semana que vem vamos postar a segunda parte da entrevista, com a Diretora-Secretária do Instituto, Sra. Guiomar Papa de Morais, que trará de forma mais detalhada as etapas da formação em Psicanálise. O Instituto funciona na própria Sede da Sociedade, R. Ércoli Verri, 230 – Jd. Ana Maria – T: 3623-7585.

Nos vemos no próximo post! 

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