quinta-feira, 21 de maio de 2015

FILME VITUS
Comentários de Sônia Maria de Godoy

Dos sonhos que temos em vida, quantos conseguimos realizar?
O que é que nos leva a desistirmos de alguns deles?
Mais importante ainda: o que é o sonhar? É possível explicar?

Estas foram as perguntas que me surgiram ao acabar de assistir ao filme “Vitus”, do diretor suíço Fredi M. Murer, um homem que se descreve deslumbrado com a vida. Na história de Vitus, Murer, que também foi o roteirista, nos apresenta um menino que nasceu um pianista prodigioso, e gênio.
Murer foca o período entre infância e início da adolescência deste garoto, Vitus, período que é muito especial para qualquer um de nós, segundo o diretor-roteirista, já que “é onde tudo pode acontecer: podemos ser um da Vinci, um bombeiro, um caubói, tudo é possível.”
Porém a questão central a que ele nos conduz me parece ser sobre a dificuldade que encontramos para realizar sonhos que nos levem em direção a nós mesmos. Em outras palavras, para conseguirmos ser nós próprios diante de tantas convenções que o “establishment” impõe, necessitamos ousar existir com nossas diferenças. Parece-me que Murer nos propõe reflexões sobre como poder escolher a maneira própria de existir e mesmo assim permanecer em sintonia com o grupo social, apesar de nascermos com condições para ser e pensar diferentes da maioria.
Vitus pode ser tomado qual um representante de nosso incômodo frente àquele que de uma forma ou de outra se mostra genial em sua diferença.
Vitus, menino superdotado, um gênio no piano, sente-se com enormes dificuldades para responder a pergunta: “O que você quer ser quando crescer? ” Na ausência de continente para seus conteúdos tão extraordinários, pois seus pais são pessoas comuns, ele desiste temporariamente de usar sua inteligência, se estupidifica para tentar conviver com as pessoas que o cercam.
W. Bion propõe que os termos “místico”, “gênio” ou “messias”, possam ser intercambiáveis. Ele lembra que o místico é tanto criativo quanto destrutivo, dois extremos que coexistem na mesma pessoa. Ainda Bion, usando como sinônimos os termos gênio e místico, diz que entre o místico e o “establishment” há uma relação problemática, que se repete durante a história da humanidade. De fato, se procurarmos por exemplo entre artistas, ou pensadores, veremos quanto eles foram perseguidos por sua genialidade, alguns morrendo na fogueira, outros negando suas próprias descobertas.
É em seu avô que Vitus descobre um estímulo para criar asas para seus sonhos e assim realizar voos fantasiosos que o ajudam a descortinar uma realidade possível para sua condição de gênio.


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