quinta-feira, 5 de maio de 2011

Anette Blaya Luz, Diretora Científica da Febrapsi, conta em detalhes as novidades para o XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise.

Por Cristiane Sampaio
Mtb: 43631


Bom dia pessoal,

Como combinado, postamos hoje a segunda parte da entrevista com a Dra. Anette Blaya Luz. Confiram as dicas e novidades sobre o XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise que Anette nos contou em primeira mão.

Limites: Anette, como está organizado o XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise? Quais eixos temáticos serão abordados?

Anette: O tema central do Congresso é LIMITES: Prazer & Realidade. Este tema foi escolhido junto com todos os membros do Conselho Diretor em reunião realizada em março de 2010 em Ribeirão Preto.

Teremos 102 Mesas Redondas, 10 Discussões Clínicas, 10 apresentações de Temas Livres além de termos também o Congresso Didático inserido no corpo do Congresso. O Congresso Didático aborda questões específicas da Formação Psicanalítica em 8 Mesas redondas.

Abaixo relaciono os Eixos temáticos. No site da Febrapsi está publicada uma relação de títulos de mesas redondas.

Os eixos temáticos foram divididos em:

- Clínico: seminários clínicos
             : analista trabalhando

1.    Teórico-Clínico
2.    Infância e Adolescência
3.    Formação Psicanalítica: transmissão
                                          : supervisões para candidatos
4.    Comunidade e Cultura: Cinema e Psicanálise
                                          : Psicanálise e Cultura
5.    Psicanálise de Casais e famílias
6.    Psicanálise e Escola
7.    Universitários: semeando a Psicanálise
8.    Psicanálise e Sustentabilidade
9.    Diálogos Psicanalíticos

Limites: Como você vê o tema Limites: prazer e realidade? Tema do XXIIII Congresso Brasileiro de Psicanálise.

Anette: O Tema LIMITES: Prazer e Realidade foi uma criação conjunta conforme mencionei acima. A sociedade atual está vivendo uma crise dos limites. Muitos tabus foram quebrados permitindo que a cultura e a sociedade evoluíssem para um viver mais livre e criativo, mas ao mesmo tempo muitos conceitos ficaram confusos. Nossa sociedade está impregnada pela ideia de prazer e de busca do prazer. Mas não existe prazer sem considerarmos a realidade. Como harmonizar isto?

Para mencionar somente um exemplo a título de ilustração: vemos, hoje em dia, com bastante freqüência crianças pequenas com poder de mando e de desmando dentro de suas famílias. Vemos as mulheres inseridas no mercado de trabalho e terceirizando a criação dos filhos. Isto pode acarretar muita culpa para os pais. Quem sabe estes sentimentos conscientes e inconscientes de culpa podem estar contribuindo para que os pais e as mães hesitem na hora de determinar deveres e direitos de sua prole.

Outro exemplo interessante diz respeito ao tabu da virgindade. Quem não se lembra quando, há 30 anos, Lady Diana precisou submeter-se ao questionamento sobre sua virgindade para estar apta a casar-se com o Príncipe Charles? Os tempos são outros hoje, e temos Kate vivendo maritalmente com o Príncipe William dentro das paredes do Castelo de Buckinghan. Até aí nada mais louvável. Mas e quando vemos namorados de 12, 13, 14 ou 15 anos exigindo, e recebendo de seus pais, a instalação de cama de casal em seus quartos, para que a vida sexual possa ser mais confortável. Pode ser que a dupla tenha maturidade para isto. Pode ser que não. Onde está o Limite?

Unimos então estas questões sobre Limites com as ideias expostas no texto de Freud sobre os dois princípios do funcionamento mental: o Princípio do Prazer e o da Realidade. Para que haja Prazer genuíno é preciso que a Realidade esteja presente. Onde está o limite entre o Prazer e a Realidade em nossa sociedade? Afinal, estamos vivendo em uma sociedade onde ninguém quer, e nem sabe esperar. Nem mesmo o espaço sagrado do útero gravídico é respeitado hoje em dia. Há bebês que nem nasceram ainda e já tem suas fotos exibidas em Blogs e Facebooks e etc. Onde está o limite entre a vaidade natural e o exagero? 

Quem vai se preocupar, por exemplo, em cuidar para que o Planeta não seja explorado ilimitadamente?

Que prejuízos podemos trazer para as gerações futuras se formos preconceituosos e punitivos com a falta de limites? E que prejuízos podemos acarretar se formos desatentos à falta de limites. Onde podemos buscar o equilíbrio entre os limites do prazer e os limites da Realidade?

Nosso Congresso propõe-se a debater estas e muitas outras questões relativas e este tema.

Gostou e quer saber mais? Sinta-se convidado a participar de nosso Congresso! Acesse a página do Congresso dentro do Blog Limites (no topo da página). E em nosso próximo post mais uma entrevista pra vocês e muitas novidades por aí!

Ainda esta em tempo de se inscrever, acesse www.febrapsi.org.br/congresso

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